27/04/18 Leishmaniose visceral

Prevenção é essencial para evitar aumento de casos da doença

A leishmaniose visceral, doença infecciosa causada por um parasita transmitido ao humano por meio da picada de mosquitos, tem se alastrado no Estado de São Paulo segundo levantamento da Universidade do Oeste Paulista. Só em 2016, foram 3.200 novos casos no país.
O problema, que até então estava concentrado em algumas regiões endêmicas, traz riscos à saúde humana e dos cães. O combate ao mosquito transmissor, uso de coleira antiparasitária e vacinação nos animais de estimação são as principais medidas preventivas a serem adotadas.
De evolução crônica, a leishmaniose visceral quando não tratada pode levar a óbito até 90% dos casos, segundo levantamento do Ministério da Saúde. A sua transmissão se dá a partir da picada do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis) infectado pelo protozoário Leishmania chagasi. Nas regiões urbanas, o cachorro é o principal hospedeiro da leishmaniose, já que também pode ser picado pelo inseto.
Segundo o especialista Marcio Barboza, o cachorro não transmite a doença para os humanos, já que quando contaminado torna-se apenas um reservatório do parasita, no entanto, um novo mosquito pode pica-lo e picar os humanos com quem convive, completando assim o ciclo de transmissão e infecção.
Para ele, medidas preventivas são essenciais para a proteção do pet e de toda a família, pois o tratamento exige um alto investimento financeiro e não traz a cura – apenas melhora os sintomas e reduz a carga parasitária. Além disso, o Brasil é o país com maior número de casos de pessoas infectadas em toda a América Latina, por isso é essencial a prevenção.
“O ideal é que, estando ou não em uma área endêmica, o cão seja protegido com a coleira antiparasitária, que costuma ter 98% de efetividade na proteção. A vacina também é indicada, mas possui uma eficácia ao redor de 70%”, afirma Marcio, que complementa “a limpeza do ambiente e abrigo do animal é também essencial para manter o mosquito afastado”.
O mosquito transmissor da doença tem preferência por locais ricos em matéria orgânica, plantas e árvores. Para aqueles que moram em ambientes mais arborizados, recomenda-se o uso de telas finas ao redor do abrigo do cão, mantendo-o nesse local durante o período do entardecer e à noite.
Quando contaminado, o animal pode adoecer e vir a óbito se não diagnosticado e tratado a tempo. Além disso, a administração de medicações recomendadas pelo veterinário é essencial para reduzir as chances de transmissão do parasita a outros animais e humanos.

Diagnóstico

Entre os principais sintomas da doença nos animais estão a perda de peso repentina – mesmo sem a alteração de apetite -, pelagem falha e opaca, anemia, apatia, vômitos e diarreia.
Vale ressaltar que o diagnóstico não deve ser baseado em um único exame e o médico veterinário é o único profissional habilitado a fazê-lo, bem como para indicar terapia e cuidados preventivos adequados.
 


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Silvia Kuhl

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Ligia Cristina de Araujo Bisogni, desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

 

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