05/07/18 Vai que é sua, Ceará!!

Jornalista tem currículo que impressiona

Ele é campineiro, jornalista há 45 anos - está há 38 anos na televisão -, cobre a seleção brasileira desde 1982, fez a cobertura de todas as Copas do Mundo desde então, e participou, pessoalmente, das Copas da Itália, França, Estados Unidos, África do Sul e Brasil.
A maioria dos campineiros não faz ideia do tanto que ele entende de esporte, principalmente de futebol. Estamos falando de Luiz Roberto Serrano Ceará, mais conhecido como Luiz Ceará.
Seu currículo impressiona. Ele já passou pelas redes de televisão Manchete, SBT, Globo, Record, Bandeirantes, Rede TV além de três emissoras de rádio. Cobriu três olimpíadas: Seul, Barcelona e Atlanta, e inúmeros campeonatos de vários esportes. E fez parte da equipe do programa jornalístico Aqui Agora nos anos 1990. “O Aqui e Agora, na Rádio Cultura, foi que me projetou. Sou muito grato à Dona Zilda Pedroso e seu Abel, por terem me ajudado no início da carreira, e a pagar a faculdade, que depois devolvi a eles”, conta.
Ele nasceu na Maternidade da cidade e viveu praticamente a vida toda na Vila Industrial, onde lembra andar na rua com a molecada, em meio aos cortiços, jogar bola e conviver com os jóqueis, que frequentavam os bares do bairro. Conta que o Carnaval era uma época especial, quando ele andava com lança perfume na mão, apenas espirrando nas pessoas e se divertindo muito. “O Carnaval de rua era maravilhoso. Não tinha essa coisa de vício, era pura alegria e diversão”, afirma. Lembra, com orgulho, que era um menino de bairro, e diz que eram chamados de “bucheiros” porque pegavam os miúdos, quase de graça, no matadouro municipal, para fazerem mistura em casa. Conta que morava com a família em frente ao portão da Mogiana, ao lado do Sr. Pepe, o barbeiro; que o tio tinha uma tinturaria e, o outro, um bar, no mesmo bairro.
Se emociona ao falar do pai, que trabalhou na Câmara Municipal de Campinas como faxineiro, servindo café na copa. “Tudo que sou é graças ao meu pai, que me ensinou tudo sobre caráter, honestidade, lealdade. E é que passo para meus filhos – Ceará tem quatro filhos: Tatiana, Bianca, Estevão e João; e três netos: Ana Beatriz, Luca e João Pedro. Ele é o meu herói”, revela.
Desde pequeno, gostava muito de bola. Sempre foi religioso. Conta que estudou na Escola Paroquial São José Capelinha, e se formou no catolicismo, mas que hoje é espírita.
Quando garoto, era apaixonado por música. Aos 14 anos, virou músico – teve até um conjunto chamado Banda do Brejo, onde tocava como baterista. Depois do quartel, foi para o Rio de Janeiro, onde tocou em bares, gravou discos e voltou para Campinas. A música, aliás, sempre fez parte de sua vida. Ceará tocou profissionalmente até os 20 e poucos anos.
Ele estudou no Colégio Culto à Ciência e, no final da adolescência, escolheu cursar jornalismo na PUC Campinas. Em pouco tempo, já escrevia para o jornal da cidade. “Estava na Banda do Brejo quando fui convidado por Zeza Amaral, que ia montar no Diário do Povo um caderno B, que se chamava Viver Domingo, para escrever sobre música. Foi assim que começou a minha carreira”, lembra.
Quando se formou, foi trabalhar na Rádio Cultura. “Naquela época, José Luis Junqueira – hoje presidente da São Leopoldo Mandic - era locutor e fazia odontologia, e a Bando do Brejo tocava na faculdade que ele estudava. Nos tornamos amigos, e somos até hoje. José Luis me levou para a rádio, me casei e tinha que mudar de profissão. Foi ele quem me fez o convite para o meu primeiro emprego, a quem agradeço até hoje”, relembra.
Quando saiu da rádio, foi para a EPTV. “Fiquei na rádio por um ano e meio, ganhava bem, tinha uma vida boa. Mas fui convidado por Romeu Santini, meu professor na faculdade e amigo querido, para ir para a EPTV, na época TV Campinas, que acabava de chegar à cidade”, conta.
Ceará lembra que, naquela época, os primeiros repórteres da EPTV eram dois homens e duas mulheres: Oliveira Andrade, Luiz Ceará, Silvia Estefani e Jane Costa.
Em 1980, seguiu para a matriz da emissora carioca, a Rede Globo, que ele chama de “a grande escola”. Um ano depois, voltou à Campinas, a pedido de Natal Gali, para montar a Rádio Morena, onde ficou por dois anos.
Foi então, que acertou sua ida para a TV Bandeirantes, onde ganhou destaque nas coberturas jornalísticas.
Em 1990, foi contratado pelo SBT e conseguiu grandes marcas de sua carreira: em 1994, na Copa do Mundo dos Estados Unidos, Ceará foi o único repórter a conseguir entrar no gramado com microfone e, na decisão da Copa do Brasil, em 1995, entre Corinthians e Grêmio, ele foi recordista de audiência na emissora, chegando a quase 60 pontos do Ibope.
Ficou na emissora por 10 anos, voltou para a Band e depois foi para a Rede TV, onde está até hoje, há 5 anos.
No meio do caminho, passou pela TV Século XXI, onde montou um programa de esportes. Diz lamentar até hoje que o padre tenha acabado com o esporte na emissora.
Ceará se diz muito feliz por ter dedicado a carreira ao esporte, e soma, em seu currículo, a cobertura de cinco Copas do Mundo, quatro Olimpíadas e vários campeonatos. “São 45 anos no jornalismo, 38 anos no esporte”, afirma orgulhoso.
Em ano de Copa do Mundo, é claro que quisemos saber qual foi a melhor Copa de todas, na opinião do jornalista. “A melhor de todas foi a de 1994, nos Estados Unidos. Sensacional mesmo”.
Foi naquele ano que ele conseguiu uma credencial de fotógrafo pois repórter não podia entrar em campo - só câmera e fotógrafo. Ele revela, entusiasmado, que ficou atrás do gol do Taffarel, na final entre Brasil e Itália, mas que entrou com microfone escondido. “Quando Roberto Baggio perdeu o pênalti, foi a maior emoção. Sensacional ficar atrás do gol. Eu chorava, gritava... Foi a maior emoção que tive na vida”, lembra.
Ao ser questionado sobre qual o melhor jogador de futebol de todos os tempos, ele afirma, sem dúvida, ser Pelé. “É o maior jogador de futebol de todos os tempos, quem entrevistei muitas vezes. Pelé e Maradona, não se comparam à geração de hoje.
Por falar na nova geração, ele diz que tem um lema: “Quando os jogadores novos, esses moderninhos, às vezes, não querem dar entrevista por causa dos assessores, eu dou risada da cara deles. Dou risada porque entrevistei muitas e muitas vezes, o Pelé, que foi o maior jogador da história. E se você já entrevistou o maior de todos, e o Maradona, por exemplo, porque vai se importar que um jogador desses de hoje, que são jogadores medianos perto dos das outras gerações, não querem falar. Eles não se comparam à geração de Pelé, Gerson, Sócrates, Carlos Alberto Torres, Rivelino, Casagrande. Esses caras não se comparam”, diz.
E acrescenta: “Quando escuto que Pelé não jogaria nos dias de hoje, digo que é uma grande bobagem. Não só jogaria como seria o melhor hoje também. Quem viveu a época do Pelé sabe disso”.
Ao lembrar dos times da cidade onde nasceu, fala que são dois grandes times que caíram no descaso e no esquecimento. “Duas equipes sofredoras e sem nenhum futuro nos próximos cinco ou seis anos, a menos que seja injetado uma montanha dinheiro, Guarani e Ponte Preta já não têm nenhuma chance em nada”. Mas pondera que tiveram dois grandes times, os da geração de 70. Ponte Preta tinha um time imbatível e Guarani campeão brasileiro em 1978, com equipes que tem os nomes na ponta da língua. Na cidade também teve grandes emoções. Quando o Guarani foi Campeão Brasileiro, em 1978, ele estava lá. Mais uma vez, atrás do gol. “Estava atrás do gol quando o Guarani foi campeão. Emocionante”, diz.
Ao lembrar das muitas histórias vividas na carreia, diz que a melhor é sempre a que está vivendo no presente.
Mas conta que quando entrevistou para o Fantástico o Dr. Paulo Machado de Carvalho, diretor máximo da seleção de 1958, ele contou que quando o Brasil foi jogar com a Suécia, na final, o time da casa jogaria de amarelo, camisa principal, e o Brasil, de azul, só que não tinham levado a camisa azul (os jogadores não admitiam jogar sem a camisa amarela). Ele diz que Dr. Paulo entrou no vestiário com as camisas azuis e disse aos jogadores que tinha tido um sonho com Aparecida - Nossa Senhora Aparecida, e que ela havia dito que eles deveriam jogar de azul, a cor do manto dela, e que o Brasil seria campeão. Naquele ano, o Brasil ganhou o seu primeiro mundial, com a camisa azul.
Conta ainda que, após a entrevista, Dr. Paulo lhe deu dois ingressos para inauguração do Pacaembu, estádio que leva o seu nome. “Ele era uma pessoa doce, falava manso”, lembra.
Sobre a Seleção Brasileira, afirma que é uma seleção de milionários, o que antes não acontecia, e que hoje os jogadores não têm identificação com o povo brasileiro. Sobre o primeiro jogo, diz que Neymar, por exemplo, que é o mais badalado, ao aparecer com o cabelo fora do normal, com certeza foi cobrado pelos patrocinadores para jogar futebol e parar “de onda”, porque ficou esteticamente fora do padrão de quem está ganhando milhões em patrocínio. E afirma que com patrocinador não tem conversa. “Vocês vão ver que ele vai aparecer com outro cabelo durante a Copa”, arriscou. (E, realmente, no segundo jogo, o atacante apareceu com o cabelo “mais comportado”).
Atualmente, Luiz Ceará está na Rede TV. Além de ser jornalista esportivo da emissora, também tem um programa no portal da rede, o Resenha do Luiz Ceará, que é um sucesso.
Recentemente, deu início ao seu próprio canal no YouTube, de mesmo nome, onde entrevista grandes nomes do esporte. O canal já disponibiliza entrevistas com o técnico Tite e os jogadores Marta e Casagrande. Em duas semanas, os vídeos já somam mais de 105 mil visualizações.
Além disso, faz o programa semanal da empresa Agross, do amigo Luis Rossi.
Ceará é um dos poucos jornalistas que falam o que pensam. Não tem “papas na língua”, e por isso, talvez, atrai tanto o público, cansado daquela coisa de ouvir só o que o jornalista pode falar. Sua opinião conta, e conta muito. Quem o conhece afirma que ele é um bom amigo, honesto, respeitoso, grato e muito boa gente.
Nas horas de folga, gosta mesmo é de ficar em casa, no fundo do quintal. “Também gosto de andar no bosque dos Guarantãs, que fica próximo à minha casa, ir ao cinema e assistir séries. Sou fã de séries de televisão”, revela.
E diz gostar muito de praia. Nos últimos 20 anos, tem ido, pelo menos uma vez por ano para Florianópolis, onde tem grandes amigos.
Aos 67 anos, se diz um homem feliz, que quer apenas continuar vivendo assim, com saúde e trabalhando. “Conquistei profissionalmente tudo o que um cara pode querer na vida. No jornalismo esportivo, trabalhei em todas as melhores e grandes empresas do país e cobri os maiores eventos do esporte. Sou um cara feliz” finaliza.

Jogo Rápido
Nome:
Luiz Roberto Serrano Ceará
Signo: Leão
Cor Preferida: Azul
Mania: Tenho várias. Deixar tudo arrumado, usar calça jeans, camiseta e tênis, andar descalço, caminhar com minha cachorra e fazer minhas orações, conversar com árvores e animais...
Desejo: Ser feliz
Admiração: Todas as pessoas que gostam de ser felizes, que fazem o bem e não são canalhas, não fazem mal para ninguém
Bebida: Cerveja e café
Desabafo: Igualdade em todos os sentidos ao ser humano. Tem que respeitar o ser humano!
Prato predileto: Sanduíche. “Faço um sanduíche igual ao do bar da linguiça, um lugar que não existe mais, mas faço igual, compro do mesmo fornecedor”
Ídolo: Meu Pai
Saudade: Dos meus pais
Amigo: Tenho muitos amigos - Fernando Fernandes, Tino Marcos, Zé Maria de Aquino, Mauro Naves, Juarez Soares - meus filhos são meus amigos, minha mulher é minha amiga
Frustação: Não ter sido um bom músico
Objeto preferido: Gosto muito da minha casa – o lugar que eu mais gosto. Cuido com muito carinho dela, das plantas...
Para quem você tira o chapéu: Juarez Soares, o maior comentarista que conheço, de esporte. Um cara descente, honesto, capaz...
Um momento que nunca esquece: Entrevista com Pelé, em Brasília. “Perguntei sobre os filhos e ele me disse que estavam bem. Eu disse que minha mulher gostaria muito de ter mais um filho, mas havia feito vasectomia e não dava. Ele disse que dava sim, e ligou para o médico Roger Abdelmassih, que hoje está preso. Conversei com ele e fui lá no dia seguinte. Meu filho João Antonio, que hoje está com 21 anos, é fruto dessa conversa. Hoje a gente até brinca com quem ele se parece...
Presente que lhe agrada: Uma garrafa de cachaça
Um desafio: Viver mais 20 anos, pagar o resto das minhas contas e ver os meus netos adultos
Melhor conselho: Do Juarez Soares, na Globo: - Falei que ia fazer um curso de inglês para cobrir a seleção brasileira e ele respondeu que tinha que fazer um curso de português e não de inglês. Parece piada, mas eu fiz o curso de português para falar e escrever melhor.
Absoluta é: Betty Abrahão, linda, capaz, coração maravilhoso. Honesta e que conheço a muito tempo.

Confira na nossa galeria, fotos da carreira do jornalista.

foto destaque site torcedores.com

 


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Obrigada, Absoluta! Que sua incrível equipe continue nesse caminho de sucesso e luz!
Jussara Haddad, do Consulado e Embaixada dos Estados Unidos

 

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