01/10/18 Morre Monsenhor Caran

Em fevereiro de 2013, ele concedeu entrevista exclusiva para a Absoluta

Com profundo pesar recebemos a notícia do falecimento de Monsenhor Valdemiro Caran, na noite de ontem, dia 30 de setembro. O velório acontece na Igreja Santa Rita de Cássia, no bairro Nova Campinas, e o sepultamento será hoje, às 11h, no Cemitério da Saudade, em Campinas.
Em fevereiro de 2013, Monsenhor Caran concedeu uma entrevista exclusiva à Absoluta.
Ele nos recebeu em seu apartamento, localizado em Campinas, onde morava com suas duas irmãs, Julieta e Edith. Logo nas primeiras palavras, já pudemos sentir que o momento seria muito especial.
Em sua homenagem, relembramos hoje a matéria e suas palavras.


A história da família no Brasil começou em 1913, quando o casal de libaneses, Felipe Caran e Maria Cury Caran, chegou ao país. “Quando eles vieram, meu avô disse ao meu pai: ‘Passando por uma cidade onde tem um rio que corta, você vai em frente’. Essa cidade era São Paulo, e o rio era o Tietê”, recorda. Seguindo essas instruções, o casal chegou a Limeira, cidade onde criaram raízes e seus 10 filhos – quatro já faleceram. Monsenhor Caran é o quinto deles e o único que seguiu a carreira cristã. Sua vocação aflorou ainda na infância, aos 12 anos, quando era coroinha na Igreja Matriz, em Limeira, por achar bonito participar das cerimônias religiosas.
Monsenhor veio para Campinas em 1937, época em que a cidade tinha cerca de 200 mil habitantes e passava pelo processo de urbanização. Foi na cidade que ele fez o Seminário Menor, que englobava ginásio e colégio. Assim que concluiu, foi para São Paulo cursar Filosofia e Teologia no Seminário Central do Ipiranga. Depois de formado, retornou para Campinas e recebeu ordenação sacerdotal. em 8 de dezembro de 1948.
Foi então que passou a dar aulas no Seminário Menor, onde lecionou por 11 anos.
Durante esse período, além de dar aulas de História da Filosofia, Lógica e Doutrina Social da Igreja, na PUC-Campinas – onde ficou por mais de cinco décadas – realizou diversos cursos no Brasil e também ao redor do mundo.
Entre 1969 e 1973, Monsenhor Caran fez Direito em São João da Boa Vista, São Paulo, já que não havia cursos noturnos em Campinas. Em 1975, licenciado pela Catedral de Campinas, onde estava desde 1961, fez seu mestrado em Direito Canônico, na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.
Dois anos depois, o então Arcebispo Dom Paulo de Tarso Campos mandou buscá-lo na Itália para que ele reassumisse a Paróquia da Catedral de Campinas, onde permaneceu por 38 anos, realizando missas, batizados, bodas e casamentos – entre os muitos que realizou, Monsenhor Caran lembra com carinho o de nossa presidente Betty Abrahão e o da filha dela, Isabelle. Não esquece também de ter casado um de seus cunhados, viúvo da irmã Jamie, por três vezes, após o mesmo enviuvar novamente.
Já na década de 90, foram mais dois cursos, sendo um na cidade de Newark, em New Jersey, onde realizou um estágio de Direito Matrimonial, e outro de atualização teológica, em Pamplona, na Espanha. “Todos os cursos foram muito bons e atualizaram os meus conhecimentos em Direito Canônico e Teologia”, afirma Caran, que também já recebeu convite para ingressar na política como vereador, mas não aceitou por ser incompatível com a pastoral. A facilidade com diferentes idiomas também faz parte do seu currículo: Monsenhor, além de português, fala inglês, francês, espanhol, italiano e domina o alemão e o árabe.
Há momentos que marcaram sua vida, inclusive os que foram vivenciados na cidade de Campinas. “Lembro que um prefeito de Campinas derrubou a igreja do Rosário para construir a Avenida Francisco Glicério. E esse mesmo prefeito quis derrubar a Catedral, mas nós impedimos, fazendo uma cerca viva em frente à igreja”, conta ele. Monsenhor também viu a construção da Igreja Nossa Senhora das Dores, no Cambuí. “Havia poucas igrejas na periferia da cidade e eu atendia muito fiéis que buscavam a Catedral para batizados, crisma, casamentos, primeira comunhão, missas e casamentos”, acrescenta. Apesar de todas as mudanças que a cidade sofreu, ele acredita que Campinas está melhor hoje, por ser uma verdadeira metrópole. Foi nesta cidade também que ele recebeu, por indicação do vereador Campos Filho, a Medalha Arautos da Paz, que está entre suas honrarias.
Hoje, aos 89 anos, sendo 64 dedicados a Deus, Monsenhor Valdemiro Caran, que também fundou a Associação Pão dos Pobres de Santo Antônio, é juiz do Tribunal Eclesiástico de Campinas, auxiliar na Paróquia Santa Rita de Cássia e realiza missas no Hospital Beneficência Portuguesa. Ele se orgulha, e muito, ao falar da missão que escolheu. “É toda a minha vocação. Tudo o que um sacerdote pode fazer eu fiz, e se eu voltasse ao mundo, com certeza, seria padre de novo”, afirma.
Monsenhor avalia as mudanças que aconteceram na Igreja Católica durante o passar dos anos de forma positiva e oportuna. “A Igreja precisava dessas mudanças, porém, se de um lado a mudança é imutável na sua identidade, ela não é imóvel na caminhada dos tempos”, afirma.
A renúncia do Papa Bento XVI foi vista com bons olhos por Caran. “Foi um ato de humildade e coragem. Joseph Ratzinger é reconhecido como o maior intelectual do mundo de hoje pelos seus escritos e pronunciamentos. Ele poderia continuar desfrutando de todos os benefícios que lhe confere o sumo pontificado, mas o seu desapego enaltece, e muito, a sua missão”, explica.
Ao Monsenhor Valdemiro Caran, a nossa homenagem.

Reflexões 

Eu acredito...
Na Igreja enquanto a representação de Cristo na redenção da humanidade

Eu me orgulho...
De ser sacerdote a serviço de Cristo

Sou contra...
Tudo aquilo que o Evangelho não acolhe

Uma passagem bíblica marcante
A Parábola do Filho Pródigo

Algo que emociona
A misericórdia de Deus na acolhida ao pecador

Campinas
Uma verdadeira metrópole

Os alunos
Formei milhares em Direito

Família
Minha família é o povo de Deus

Ser padre é...
Toda minha vocação

Os fiéis
Há aqueles que se tornaram mais autênticos e há aqueles que são tíbios, ou seja, nem quente e nem frio

Os pais
O espírito religioso deles foi algo que me marcou muito

Um sonho
Ver o mundo melhor


Ao final da matéria, ele deixou uma mensagem registrada por escrito, que dividimos agora com vocês.

"Deus seja louvado para sempre" Monsenhor Caran

 

 

 


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A Absoluta chega à maioridade de maneira magnífica.Em todos esses anos, soube aliar a memória histórica significativa dos fatos ao presente palpitante e traçar cenários precisos para o futuro. Soube aliar fatos, dados e informações das mais diversas áreas do conhecimento, da cultura, da arte e até da religião. Com a revista, ficamos mobilizados por muitas causas, nos comovemos, tivemos prazer, rimos e choramos, mas ela nos encantou a cada edição. Parabéns Betty e Isabelle!
Que essa energia mágica que lhes permite conduzir a Absoluta de forma tão especial, seja sempre abençoada.
Maria Inês Fini, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)
 

 

Parabéns a toda a equipe! Que revista linda, chic, inteligente e deliciosa de ser lida!  Bjs a todos e todas, em especial para a minha cara amiga Betty.
Sandra Almeida