Absoluta

14/10/20 Usina de energia

Grupo gastronômico investe em instalação 100% auto-sustentável

Instalado dentro de um terreno de 360 mil metros quadrados localizado em uma Área de Proteção Ambiental (APA) no Distrito de Joaquim Egídio, em Campinas, o Restaurante Vila Paraíso iniciou há cinco anos um plano de tornar-se um empreendimento sustentável e focado na preservação do meio ambiente. Dentro desse projeto de longo prazo, que inclui as padocas do Vila na própria área e na Lagoa do Taquaral, a administração do grupo acaba de concluir um investimento de R$ 1 milhão na instalação de uma usina de energia solar com capacidade de geração de 192 KW, energia suficiente para abastecer 100% o restaurante e as duas unidades da Padoca do Vila. A sobra de energia, estimada em torno de 20%, será distribuída pela rede de concessão.

A usina, que acaba de entrar em funcionamento, ocupa uma área de cerca de 2 mil metros quadrados, onde foram instaladas 480 placas de painéis solares. Metade dessa capacidade já está em operação, abastecendo 100% o restaurante. A outra metade, destinada a geração de energia para as padocas e parte para a rede elétrica, deve começar a operar até o final de outubro, com a finalização da parte técnica pela concessionária de energia.

Os estudos de viabilidade para instalação da usina, que torna o Restaurante Vila Paraíso e as padocas pioneiros do setor gastronômico 100% sustentáveis no Brasil, começaram em 2014, mas acabaram sendo postergados. Eles foram retomados no final de 2019 e acelerados com a pandemia. “Compramos os equipamentos no inicio do ano. Com a chegada da pandemia e fechamento de nossas operações por 140 dias, e sem entrada de caixa, ficamos no dilema se continuávamos tocando ou adiávamos o projeto, mas decidimos seguir em frente”, conta Ricardo Barreira, um dos sócios dos empreendimentos familiar e chef do restaurante.

Com a geração da própria energia, o restaurante deixará de desembolsar cerca de R$ 12 mil mensais em energia. Já as duas padocas, juntas, terão uma economia mensal de cerca de R$ 5 mil. “Com esta economia, nossa previsão é de que o investimento se pague em quatro anos”, estima Ricardo.

Reciclagem e compostagem
A economia é um fator importante para as empresas. Mas não é a única que vem motivando este projeto de auto-sustentabilidade. “Temos como propósito um consumo consciente, com foco na sustentabilidade e preservação do meio ambiente, seguindo a linha que construímos ao longo desses 20 anos de existência do restaurante e posteriormente com a chegada da Padoca do Vila.”, acrescenta a gerente de marketing Fernanda Barreira.

Em paralelo ao investimento, os proprietários já vinham realizando um trabalho com ações de sustentabilidade, como a implantação de horta para abastecer parte dos três negócios, projeto de compostagem de materiais in natura, reciclagem da maioria dos materiais descartáveis, destinação de sobra de comida que iria para o lixo e desenvolvimento da cadeia de pequenos e médios fornecedores, com o propósito de levar à mesa dos clientes produtos de melhor qualidade.

Com a recém implantada compostagem, 100% de alimentos in natura descartados, equivalente a 360 litros semanais, passou a ser tratado juntamente com material seco, como folhas, para virar adubo orgânico, utilizado na horta de 5 mil m2. Neste espaço são produzidos cerca de 100 quilos de hortaliças, legumes e verduras consumidas nas três casas.

O terceiro pilar do projeto de um empreendimento 100% sustentável no futuro é a reciclagem. Atualmente, cerca de duas toneladas de plástico, papelão, alumínio e outros lixos são separados e doados, gerando uma renda extra para as pessoas que trabalham com coleta e reciclagem. “Além de ajudar quem precisa, deixamos de poluir o meio ambiente, com uma redução de 60% desde que iniciamos este processo”, conta Ricardo. No caso de carnes, alimentos gordurosos e molho branco estes produtos são doados para um produtor de porcos da região.

Fernanda ressalta que um dos pilares do grupo é o forte compromisso com a sustentabilidade em toda a sua cadeia. “O restaurante e as padocas vêm utilizando cada vez mais boas práticas de sustentabilidade, estreitando o caminho entre o produtor e o cliente final, entregando um produto de maior qualidade e fomentando os pequenos produtores e comerciantes”, completa.

 


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Celina Duarte Martinho

 

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Luiz Zabotto 

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