05/05/19 Dispositivos móveis

5 problemas que os celulares podem causar à sua saúde

Já parou para pensar quanto tempo do dia você passa olhando para o celular? Segundo levantamento realizado pela empresa de estatísticas Statista, o tempo de uso do aparelho pelos brasileiros dobrou entre os anos de 2012, onde a média era inferior a duas horas diárias, e 2016, quando chegou a quatro horas e 48 minutos, a média mais alta do mundo. Os dados chamam atenção, pois o uso excessivo do celular, além de causar distúrbios psicológicos e do sono, também pode ocasionar problemas relacionados aos ossos, articulações e até mesmo à pele. Para se ter uma ideia, o hábito de realizar sempre o mesmo movimento com os dedos para digitar, ou até mesmo segurar constantemente o dispositivo com uma das mãos, pode favorecer o aparecimento de uma série de complicações.

Dores articulares nas mãos
De acordo com um estudo conduzido pela Universidade de Gothenburg*, na Suécia, e publicado em março deste ano, movimentos altamente repetitivos com o polegar têm sido identificados como um potencial fator de risco para distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao uso de telefones celulares, pois esta repetição excessiva de um único movimento pode ocasionar um efeito inflamatório e, posteriormente, degenerativo nas articulações e tendões das mãos, dedos e pulsos. Mas o problema pode ser evitado através de alguns cuidados básicos, sendo o principal deles a redução do uso do celular. Porém, caso isso não seja possível, devido ao trabalho ou funções do dia-a-dia, é importante que você descanse por pelo menos 10 minutos após duas horas trabalhadas, aproveitando este período para alongar e mobilizar os tendões e articulações da região dos punhos e das mãos.
Caso o problema persista, o ideal é buscar um fisioterapeuta que verificará formas de diminuir o estresse nessas regiões, além de auxiliar na redução das dores e no fortalecimento dos músculos e articulações. Uma das novidades no tratamento, e que pode ser usado até mesmo em casa, fica por conta de equipamentos que agem através da fotobiomodulação, ou seja, utilizam da estimulação fotodinâmica para promover efeitos fisiológicos.

Envelhecimento precoce da pele do pescoço
Mas os problemas causados pelos smartphones e celulares não param por aí. O hábito contínuo de inclinar a cabeça para baixo para visualizar o celular está acelerando o processo de envelhecimento em uma região difícil de tratar: o pescoço. De acordo com um estudo da Universidade de Chung-Ang, na Coreia do Sul, mulheres a partir dos 29 anos já apresentam vincos nessa área, enquanto o natural seria apenas depois dos 40. Uma das razões citadas no estudo foi o uso exagerado do celular. Recentemente, o número de pacientes com rugas do pescoço vem aumentando de tal forma que o problema já tem até nome: Rugas Tech Neck. “A pele do pescoço é muito fina, praticamente sem glândulas sebáceas, com espessura próxima a dois milímetros, pouco hidratada e onde há grande movimentação natural pela própria dinâmica da região. Logo, a inclinação frequente da cabeça para baixo a fim de olhar o celular, tablet ou outro dispositivo, favorece o surgimento precoce dos sinais de envelhecimento e a formação de sulcos na região”, destaca a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.
Segundo a médica, para evitar o aparecimento das rugas Tech Neck uma dica importante é, mesmo quando mexer nos dispositivos, manter a cabeça em um ângulo de 0 grau e a postura alinhada, com o celular erguido na direção dos olhos. Já com relação aos cuidados diários na região do pescoço, a especialista indica o uso de sabonetes neutros ou loções de limpeza à base de ativos calmantes. “Em seguida, deve-se usar loções tônicas que vão preparar a pele para receber um sérum tensor que pode conter Hyaxel, ácido hialurônico de baixo peso molecular, antioxidantes, vitaminas e glicosaminoglicanas, além de substâncias que recuperem a volumetria da região como Adipofill e Sculptessence”, completa. Para finalizar, o protetor solar com FPS 30, no mínimo, é indispensável, devendo ser reaplicado a cada quatro horas. No caso dos tratamentos, a toxina botulínica e os lasers figuram entre os procedimentos mais utilizados hoje para tratar as linhas de expressão que formam os colares horizontais.

Acne
Os aparelhos concentram um alto número de bactérias e sujidades que são carregadas até o rosto, principalmente no contato direto com o celular ou se a pessoa tem o costume de passar a mão na face, e isso acaba auxiliando na formação de espinhas. “Para evitar o aparecimento ou agravamento do quadro acneico, é importante que você realize regularmente a limpeza de seu dispositivo com produtos específicos. Além disso, deve-se evitar passar a mão no rosto várias vezes ao dia, ainda mais se você tem a péssima mania de espremer espinhas”, recomenda a dermatologista. A médica ainda alerta sobre a importância de se consultar sempre um dermatologista, pois a acne é um problema multifatorial e somente um médico especialista pode indicar o melhor tratamento para o problema.

Luz visível

A luz visível emitida pelo celular também é prejudicial a nossa saúde, pois pode favorecer o surgimento de manchas escuras e desencadear ou piorar certas doenças de pele. “Isso acontece porque a luz visível estimula a melanogênese, ou seja, a pigmentação, sendo um fator importante de piora do melasma e de doenças que apresentam fotossensibilidade, como o Lúpus e a rosácea. Além disso, a luz visível também causa inflamações, danos nos tecidos e age diretamente no DNA das células, pois, ao interagir com a melanina, pigmento que dá cor à pele, ela gera uma forma de oxigênio altamente reativa que deteriora inclusive o material genético celular”, explica a médica. Para tratar e prevenir o problema, a dermatologista recomenda o uso diário de cremes antioxidantes e, para os portadores de doenças de pele fotossensíveis, o acompanhamento dermatológico é fundamental. “No caso do melasma, tratamentos como o microagulhamento, a radiofrequência e o peeling de cristal têm bons resultados. Mas, como o melasma tem uma característica hereditária, o uso de medicação tópica e oral é essencial.”

Alergia

Além disso, alguns componentes dos celulares, como o cromo e o níquel, estão relacionados com o aumento do número de alergias na pele. Segundo a Associação Britânica de Dermatologistas, a alergia a níquel afeta 30% da população no Reino Unido e figura entre as dermatites de contato mais comuns. E o pior é que o níquel está em quase todo o celular: desde a bateria de lítio (que traz níquel na composição) até o fio de ligação de cada chip (que é revestido com a substância), passando pelo microfone, eletrônica e revestimentos decorativos. “Neste caso, além de sempre utilizar case e película no dispositivo, é necessário consultar um dermatologista ao perceber qualquer tipo de alteração na pele para que o profissional indique a melhor opção de tratamento para seu caso”, finaliza Cláudia Marçal.
 


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Teresinha Senatore

 

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Ligia Cristina de Araujo Bisogni, desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo