A1 é o compacto da Audi

Por Jorge Augusto
Fotos Marcelo Alexandre

Lançado em Maio de 2011, o compacto A1 chegou as ruas brasileiras como o carro mais completo, tanto em tecnologia com em equipamentos de série, em sua categoria. Ainda que o fator tecnológico seja muito evidente, a melhor palavra que defini o A1 é “eficiência”.

O modelo A1 é um compacto que traz interessantes atributos. Ele conta com desenho curioso de linhas modernas e uma clara personalidade esportiva. Um olhar mais atento, revelará linhas que parecem inspiradas no do Beetle, da Volkswagen, principalmente quando observado de lado. Ainda sim, o A1 tem personalidade bastante própria. Visto de frente, os faróis sugerem um “olhar bravo”. E os faróis incluem tecnologia de ponta, com sistema bi-xênon e luzes diurnas em LED (pela primeira vez num compacto).

Uma característica que precisa ser observada logo de cara no Audi A1, é que ele é um carro para apenas quatro pessoas. No banco traseiro, por exemplo, só existem dos cintos. Além disso, no centro do banco existe um porta-objeto e porta-copos fixo, que impede qualquer pessoa de sentar na posição central. Ainda que compacto, a Audi informa que o A1 é o maior da categoria. O modelo tem 3,95 metros de comprimento, largura de 1,74 metros e a altura de 1,42 metros. A distância entre -eixos é de 2,47 metros. Ainda que as medidas sejam generosas (se considerada a categoria), é importante observar que o banco traseiro não é aquela referência de conforto. Pessoas com mais de 1,65 m ficam desconfortáveis, com a cabeça encostando no teto. E o espaço para pernas é bastante limitado. O compartimento de bagagem, por sua vez, tem um piso mais baixo (o que facilita o carregamento) e comporta 267 litros (ou 920 litros com o banco traseiro totalmente rebatido).

O A1 também busca seguir a receita do seu principal concorrente (o Mini Cooper) quando o assunto é a customização, de fábrica. O consumidor pode escolher a cor do arco do teto em pintura contrastante, além de optar pelas cores nas saídas de ar internas também.

Inicialmente, era uma ideia da Audi oferecer nesse modelo, o sistema start-stop, que auxilia na economia de combustível e redução de emissões de CO2. Essa tecnologia consiste em desligar o motor do carro sempre que o veículo está parado, e com a marcha desengatada. Porém, isso acarretaria em maior custo, e a marca preferiu não incluir a função.

Motor e câmbio

Nunca antes no mercado brasileiro, 122 cavalos foram tão eficientes num carro. É fato, que o excelente resultado dinâmico do Audi A1 não é um mérito isolado do motor. Mas o propulsor tem muitos méritos. Estamos falando de um motor TFSI 1,4 litro que tem como características – injeção direta estratificada de combustível, quatro cilindros e 16 válvulas, turbo alimentado.

Esse eficiente motor faz par com um câmbio realmente avançando. Trata-se de um câmbio manual robotizado, com dupla embreagem de sete marchas. A Audi define esse câmbio como S-Tronic, porém essa tecnologia também está disponível em alguns modelos da Volkswagen com o nome de DSG. Para se ter uma ideia, o atual modelo do Audi A3 e o sedan de luxo da Volkswagen Passat (vendidos no mercado brasileiro) utilizam esse mesmo conceito de câmbio, porém ainda com seis marchas.

Por conta da dupla embreagem, as trocas de marchas são feitas em centésimos de segundo, sem qualquer interrupção perceptível de potência, justamente porque as marchas ficam préengatadas para a troca. O controle pode ser feito pela alavanca de transmissão ou ainda por meio de shift paddles no volante de couro, como nos carros de corrida.

Outros aliados do sistema de força do A1 são: o baixo coeficiente aerodinâmico de 0,32 (um dos carros mais aerodinâmicos de sua categoria) e o peso de apenas 1.200 kg.

Desempenho

Tudo isso somado resulta num carro que, na estrada, numa velocidade constante de 120 km/h, com ar condicionado ligado, faz média de incríveis 17 km/l com a nossa gasolina (que é uma das piores do mundo e tem cerca de 23% de álcool). Mesmo na cidade, a média fica acima dos 12 km/l. Mas se o objetivo é acelerar, o A1 também faz bonito. A aceleração de 0 a 100 km/hora é feita em apenas 9 segundos e a máxima é de 203 km/hora. O torque de 200 Nm, disponível continuamente entre 1.500 e 4.000 rpm, proporciona respostas rápidas nas retomadas de aceleração.

Equipamentos

Realmente o A1 é um modelo completo de fábrica. Entre outros equipamentos de série estão lanternas traseiras iluminadas por LEDs, sistema de assistência de partida em aclives, sensor de chuva e luz, alarme, computador de bordo completo, faróis auxiliares, freios com ABS; programa de estabilidade eletrônico; airbags dianteiros frontal e lateral e airbags de cabeça dianteiro e traseiro; rodas aro 16 com pneus 215/45. Mas o uso de leds estende-se a iluminação ambiente nas portas e teto, como também nas luzes de leitura e para os pés.

O sistema de ar-condicionado merece destaque. Ele tem controle automático, porém não é digital. Ainda sim, o sistema é bastante eficiente e consegue resfriar rapidamente o interior do carro num dia quente.

A unidade avaliada correspondia a versão topo de linha com todos os opcionais. Entre eles, o grande teto-solar panorâmico Open Sky, com comando elétrico que é maior que a maioria dos modelos presentes no mercado. Outros opcionais presentes eram sensor de estacionamento traseiro e controle de cruzeiro.

Interface MMI

O Audi A1 vem equipado com um eficiente sistema multimedia que a marca batiza como MMI. Trata-se de um conjunto integrado que reúne sistema de som, configurações do veículo, navegação GPS e informações do trafego (quando disponível) e interface Bluetooth com celulares. Tudo isso unificado numa tela com 6,5 polegadas. Essa tela é retrátil (por ação manual) e fica na parte superior central do painel. É difícil sentir a falta de alguma função nesse sistema.

Pra começar, a conectividade com diversos tipos de media é total. Estão disponíveis dois slots para cartão SD, entrada para CDs no formato áudio e MP3, conexão para Bluetooth estéreo e ainda existe um terminal dentro do porta-luvas que pode ser utilizado para outros tipos de conexão. As conexões possíveis através desse terminal são USB (pen-drives) e conexão com iPods e iPhones. O senão é que para se utilizar esses recursos, o usuário precisa comprar na concessionária cabos extras, e que são considerados acessórios. O cabo para conexão USB, custa cerca de R$ 350,00.

A qualidade de áudio impressiona. Os alto-falantes são da conceituada marca BOSE. E dentro do porta-malas, ainda há um sub-woofer que dá um reforço bem interessante nos graves. O sistema surround tem 465 watts de potência distribuídos em 14 alto-falantes!

Além dos comandos presentes no volante, o motorista também pode dar comandos vocais para o sistema MMI. Ainda que as funções sejam básicas, como mudar a fonte de reprodução de áudio, avançar ou retroceder faixas de música e até mesmo funções do celular, isso ajuda bastante, evitando a perda de atenção ao volante.

O senão do sistema MMI é a complicada interface para se usar o recurso do radio em FM. É um pouco complicado memorizar as estações preferidas do usuário, como também utilizar o DIAL de forma manual. O sistema insiste em memorizar automaticamente as estações de melhor sinal, e como o mesmo exibe as informações de RDS (em vez da frequência em MHz) das estações, o usuário precisa quase adivinhar qual a estação que está escutando. A operação só fica mais dinâmica, depois de se acostumar com o sistema.

O Audi A1 avaliado, por ser um carro do primeiro lote de importação ainda não tinha o GPS operacional. Porém, as unidades mais recentes, já trazem recurso de navegação por GPS disponível.

Chave presencial

Mesmo como recurso opcional no A1, é uma função bastante útil. Trata-se do sistema keyless-go (botão de partida automática sem a chave). Basta se aproximar do carro com a chave no bolso, colocar a mão na maçaneta e a porta se abre, sem a necessidade de apertar qualquer botão. Para dar a partida, basta apertar o botão do lado direito do volante. Ao sair do carro, basta aproximar a mão da maçaneta para o sistema trancar o carro automaticamente.

Entre as funções presentes no telecomando da chave, esta a possibilidade de abrir e fechar totalmente os vidros, com o carro desligado. Isso é especialmente útil num dia de calor intenso, onde o carro ficou muito tempo no sol fechado. Assim, o motorista pode abrir os vidros e bascular parcialmente o teto-solar (quando equipado) para ventilar o carro, antes de entrar no veículo.

Computador de bordo inteligente

O A1 é um carro que chega a frente de seu tempo em vários sentidos. E o seu computador de bordo é um exemplo disso. Como todo sistema similar, ele traz informações de data, autonomia, tempo de viagem, consumo médio, velocidade média, distância percorrida, e consumo instantâneo. O usuário ainda conta com o velocímetro digital. Mas o diferencial do sistema é o menu de “programa de eficiência”. Nele, o sistema mostra para o motorista os equipamentos no carro que estão consumindo energia, e dá dicas para tornar o consumo mais eficiente. Através de uma barra de consumo, que mostra a quantidade de litro de combustível por hora cosumido a mais, o recurso identifica se o ar-condicionado, faróis auxiliares, desembaçador traseiro estão ligados e consumindo energia. Além disso, ele avisa o motorista se o carro esta com o ar-condicionado ligado e com as janelas abertas. E observando essas funções, é possível economizar ainda mais.

Dirigibilidade

O compacto A1 é um modelo de “pegada” esportiva. Com uma suspensão que tende a ser mais firme que confortável, o carrinho é gosto de guiar. A direção com assistência elétrica, economiza potência do motor ao mesmo tempo que é incrivelmente leve. Na estrada, o carro é incrivelmente ágil. Aceita muito bem, até mesmo as manobras mais rápidas. Sempre na mão, e com um suspensão justa, é divertido acelerar e fazer uso intenso das borboletas atrás do volante, efetuando trocas de marchas instantâneas.

Mas se o objetivo é conduzir o caro suavemente na cidade, o Audi A1 também faz bonito. Em modo automático, as trocas de marchas ocorrem com suavidade e sem trancos. O usuário só percebe que esse câmbio robotizado não é um automático convencional quando esta numa rampa, com o carro parado. Ao iniciar o movimento do carro, o motorista tem 3 segundos para tirar o pé do freio e acelerar o carro. Caso contrário, o carro escorrega, como um carro manual. E esses 3 segundos são dados graças ao assistente de partida em aclive, que o A1 traz de série, onde o freio continua acionado, mesmo quando o pedal de freio é liberado.

Vale destacar que o A1 é um carro baixo, exigindo um pouco de cuidado do motorista ao atravessar valetas e lombadas. Em alguns obstáculos maiores, a frente do carro pode raspar.

Mercado

O preço de venda da versão básica do A1, após o aumento do IPI é de R$ 94,9 mil. Com todos os opcionais, o preço passa de R$ 131 mil. Certamente o A1 não é um produto barato. Afinal, com esse mesmo dinheiro, dá para comprar vários sedans médios de qualidade de outras marcas. Assim, o A1 é um carro para um cliente específico. Mas para quem pode pagar esse preço, e busca diversão ao volante num carro bem equipado e compacto, o A1 é uma boa opção.

 

 

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