Agenda dos filhos

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A volta às aulas parece devolver a normalidade à vida. Mas é justamente nesse período que surgem algumas dúvidas dos pais: como conciliar as atividades dos filhos com os horários de trabalho? Como equacionar o leva-e-traz? E ainda, como não sobrecarregar as crianças com cursos e tarefas?
A competitividade no mercado de trabalho gera nos pais a busca pela melhor preparação e formação para os filhos, com isso a agenda dos pequenos e adolescentes fica totalmente preenchida com atividades extracurriculares. Nada de errado com isso, contanto que não haja excessos. A sobrecarga pode ser prejudicial.
Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), alerta sobre os problemas que o excesso de tarefas extraescolares pode provocar. A lista é grande: ansiedade, estresse, agressividade, desânimo, irritação, distúrbios alimentares, falta de concentração, distúrbios do sono e baixo desempenho acadêmico.
"O problema não está em ter ou não atividades além das escolares, mas a questão se refere aos objetivos subjacentes às escolhas das mesmas. A meta é potencializar talentos? Proporcionar atividades lúdicas à criança? Deixar mais tempo livre para os pais? Aplacar a culpa da ausência destes na educação de seu filho? Ou promover o desenvolvimento desta criança ou adolescente oferecendo-lhe um mundo de estímulos diferentes dos que recebe no ambiente escolar, para que possa ampliar a sua imagem sociocultural?", questiona.
As atividades extracurriculares, segundo a psicopedagoga, cumprem seus papéis na rotina das crianças e dos jovens, desde que praticadas com critério, atenção à idade, o gosto pessoal dos mais novos, os seus desejos, interesses e características da sua personalidade. É importante que os pais respeitem o limite dos filhos, caso contrário, a atividade pode tornar-se um verdadeiro tormento para a criança, deixando de cumprir um dos seus principais objetivos, que é dar continuidade ao desenvolvimento de determinados talentos e capacidades.
Outro aspecto a ser considerado pelos pais de crianças pequenas diz respeito à necessidade fundamental de elas terem tempo livre, sem nada agendado, para que tenham momentos para si próprias, para que façam descobertas com seus brinquedos, sem a interferência e o excesso de estímulo do adulto. "É preciso ter cautela para saber dosar as atividades extracurriculares dos filhos na medida saudável. Se por um lado os estudantes devem ter tempo para fazer a tarefa da escola e estudar para as disciplinas da grade curricular, as experiências adquiridas por meio do convívio com os seus companheiros são primordiais para seu desenvolvimento, não só o conhecimento é importante para a formação do indivíduo", diz a psicopedagoga.

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