Alergia pode agravar o ceratocone

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Um estudo realizado nos últimos dois anos, com 168 pacientes, pelo oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, mostra que 75% dos casos de ceratocone estão associados a doenças alérgicas. O ceratocone responde pela maior parte dos transplantes de córnea no Brasil. A doença afina e dilata a parte central da córnea, que responde pelo eixo da visão, tornando as imagens desfocadas tanto para perto como para longe.

O problema atinge um em cada 100 brasileiros, geralmente, aparece na adolescência, sendo que 40% dos portadores têm idade entre 17 e 27 anos. Embora a maioria dos casos não apresente histórico familiar, a herança genética pode ser a causa. O diagnóstico é feito por topografia computadorizada.

“O uso permanente de lentes de contato rígidas, doenças sistêmicas e os diversos tipos de alergia que desorganizam as fibras de colágeno também estão associados ao ceratocone, que tende a crescer no Brasil. Isso porque a maior exposição aos poluentes, o uso indiscriminado de medicamentos e a queda da imunidade decorrente do estresse facilitam o surgimento de alergias. A prova disso é que nos últimos anos a incidência de doenças alérgicas no País saltou de 10% para 20% e seis em cada 10 alérgicos manifestam o problema nos olhos, segundo o Estudo Multicêntrico Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISSAC)”, afirma Queiroz Neto.

O especialista ainda explica que o hábito de coçar os olhos não só predispõe ao ceratocone como agrava a doença porque intensifica o desordenamento das fibrilas de colágeno da córnea que se torna menos rígida. Inicialmente o tratamento é feito com óculos de grau, mas com a evolução do problema, a correção da visão exige o uso de lentes rígidas que aplanam a parte central da córnea.

Sinais de ceratocone

Segundo o estudo do oftalmologista, 43% dos portadores só descobrem a doença em estágio intermediário. O médico explica que isso acontece porque mesmo com a mudança rápida da refração que caracteriza o ceratocone, os pacientes permanecem usando óculos desatualizados.

“O problema de descobrir o ceratocone em estágio intermediário é que pacientes muito alérgicos só conseguem permanecer com as lentes de contato por 3 horas em média e acabam ficando sem correção visual durante as crises o que naturalmente compromete o rendimento escolar e profissional”, diz o oftalmologista.

Uma nova técnica, o cross link, está em processo de normatização no Brasil, tem preço acessível e estaciona o ceratocone por aumentar a rigidez da córnea em até três vezes. Queiroz Neto explica que o procedimento consiste em aplicar riboflavina (vitamina B2) associada à luz ultravioleta, parando a evolução da doença e reorganizando as fibrilas de colágeno da córnea. “O procedimento não devolve o formato original da córnea. Por isso, quando a deformação da membrana está em estágio avançado, o tratamento continua sendo o transplante, única terapia curativa do ceratocone”.

Desde 2008, o oftalmologista já aplicou a técnica em 18 pacientes. A terapia se mostrou mais efetiva nas aplicações feitas no início da doença, com aumento em 5% a espessura da córnea, além de melhora na acuidade visual.

Os sinais de alerta da doença são:

• Visão distorcida para perto e longe
• Poliopia – visão de várias imagens
• Diplopia – visão dupla
• Excessiva fotofobia (aversão à luz)

Dicas para o dia-a-dia

• Usar óculos de leitura com lentes anti-reflexo
• No computador os óculos de meia distância cansam menos
• Monitor LCD melhora a visão por eliminar reflexos
• Lentes dos óculos fechadas nas laterais evitam o ressecamento dos
olhos
• Óculos escuros com lentes polarizadas reduzem o desconforto no sol
• Nas atividades esportivas óculos protetores evitam a perda das lentes.

 

 

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