Comemoração

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A imagem é a de um guardião de memórias se movendo com desenvoltura e prazer por um labirinto. O amontoado de caixas de papelão arquivadas no 3º andar do Palácio dos Jequitibás, que acondicionam milhares de negativos, nunca foi motivo de desconforto para Luiz Antonio Granzotto e não o seria justamente agora, que ele está comemorando 40 anos de fotografia a serviço da Prefeitura de Campinas. “É a minha sala do tesouro”, brinca. Se bem que ele não esconde a animação com a promessa do prefeito Pedro Serafim, de digitalizar todo o acervo. “Vai ser o meu grande presente de aniversário. Assim que isso for feito, vou organizar uma exposição e, na sequência, quero deixar o material bem disponível para visitas de escolas; afinal, quer aula de história da cidade melhor do que essa?”, argumenta.

O peso do atual arquivo físico não se traduz somente em volume: nele estão registradas as trajetórias de uma dúzia de prefeitos de Campinas (alguns “bisaram” o mandato, outros tiveram passagem breve pelo poder e, nos últimos meses, as sucessões ocorreram de forma relâmpago, ao sabor da crise política aberta com a cassação de Hélio de Oliveira Santos). “Por tabela, aqui também está um pouco da história recente de Campinas, que quando comecei, era uma cidade com apenas 250 mil moradores e que acabava ali na altura do Campos Elíseos”, associa Granzotto, que dos seus 60 anos de idade, já dedicou dois terços a clicar incessantemente o dia a dia político-administrativo de uma metrópole com quase 1 milhão e 100 mil habitantes.

Homenagens não faltarão. Está em preparação, na Câmara, a outorga do título de “Cidadão Campineiro”, iniciativa do vereador Arly de Lara Romeo. “Estou muito honrado, pois afinal, sou campineiro por adoção e sempre procurei ‘vender’ a imagem da cidade da forma mais bonita que consigo”, diz Granzotto, que nasceu em Araraquara, em 27 de janeiro de 1952. Tinha apenas 8 anos quando trocou a tranquilidade do sítio do avô pela já agitadinha vida campineira, que entrava nos “anos loucos”. Veio com os pais e a irmã.

Não demorou nadinha para que “caísse a ficha” de que sua história ia mudar: “Logo no segundo dia, um gato comeu o meu periquito”. Mas hoje se mostra reconciliado: “Depois de tanto tempo, só posso dizer que Campinas me acolheu de braços abertos e, graças à minha profissão, me mostrou rapidamente seus encantos. Até hoje tento me aprimorar, pra retribuir a tudo isso”.

E sua história começou a se delinear cedo. “Molecão ainda, comecei a trabalhar num armazém, mas a minha paixão, mesmo, já era a fotografia; eu era figurinha carimbada em qualquer agito e marcava presença até nas romarias pra Aparecida, só pra praticar”, lembra, dizendo sentir ainda nas mãos o contato da graciosa Olympus Trip 35 com a qual começou.

Paixão assumida a ponto de ter abandonado o balcão do armazém para trabalhar de graça no acanhado laboratório fotográfico do então Departamento de Comunicação da Prefeitura. “Era no subsolo do Paço, onde ralei seis meses sem ganhar nada, a não ser experiência. E debaixo da pressão do meu pai, que não via futuro naquilo”.

A persistência acabou recompensada em fevereiro de 1972: “O Luiz Carlos Diniz, que era o fotógrafo, saiu, e o Marquinhos Quintas— que a gente chamava de “Piteco” —, que coordenava o departamento, me passou a vaga. Era na gestão do Orestes Quércia e me lembro que a primeira foto que me pautaram foi uma solenidade no gabinete com o Enildo Pessoa, à época presidente do Fumderc— algo como Fundo Municipal de Desenvolvimento de Campinas”.

Granzotto admite que estava nervoso pela estreia. “Mas o Quércia era do tipo brincalhão, sabia colocar as pessoas à vontade; ele virou pra mim e falou ‘Ei, essa foto é pra sair, não vai queimar, hein?’. Bastou pra relaxar e passei no batismo de fogo”.

Mais do que um incentivo para iniciar a carreira, essa capacidade de se relacionar bem com os prefeitos tem valido para Granzotto um status de escudeiro. “Sempre criamos um vínculo de confiança que só favorece o trabalho e a convivência”, define. E é uma parceria plenamente adaptável ao que o fotógrafo chama de “personalidade e estilo” de cada prefeito.

 

 

 

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