De malas prontas

Com dinheiro no bolso, autonomia, disposição e tempo livre, o segmento da terceira idade das classes A e B vem se tornando um mercado atrativo principalmente por suas taxas de crescimento. Uma pesquisa realizada, em 2010, pelo Instituto Somatório revelou que essa faixa etária tem renda mensal total de R$ 7,5 bilhões, o que corresponde a 15% dos rendimentos de todos os domicílios. O levantamento apontou ainda que, na classe A, os idosos contribuem para 55% na renda familiar.
Muito desse dinheiro tem sido direcionado a viagens nacionais e internacionais. De acordo com a empresária Mariana Bellucci, proprietária da Local Turismo, os viajantes da terceira idade são, em sua maioria, aposentados bastante ativos, que moram sozinhos ou com familiares; além de viajar, saem com frequência à noite, apreciam a vivência com outras pessoas e, definitivamente, não se entregam à idade. “Já cumpriram suas ‘obrigações’ e querem curtir a vida e aproveitar cada dia de maneira especial”, afirma. Na agência da empresária, os destinos mais procurados são os internacionais. “Gostam de conhecer lugares e experiências novas, mas também gostam de voltar a alguns lugares que já foram em outras épocas da vida para reviver tudo. Temos clientes que amam tanto Paris, por exemplo, que dão um jeitinho de passar, na volta para o Brasil, uns dias por lá, mesmo que o destino escolhido para a viagem seja bem distante ou até em outro continente! E temos clientes que já viajaram o mundo todo e de todas as maneiras: desde uma viagem mais aventureira, como caminhar com um mochilão, até as mais luxuosas, abusando dos melhores meios de transporte, serviços e hotelaria”, acrescenta.
Na capital paulista, o cenário não é diferente. Magda Nassar, diretora comercial da Soft Travel, garante que a frequência – e o aumento – de pessoas com mais de 60 anos na agência é uma realidade. Por lá, geralmente, viajam mais mulheres, muitas viúvas. “É um público muito bom de trabalhar. Eles são organizados, se antecipam, se reúnem e, normalmente, preferem viajar em grupos compostos por, no mínimo, 10 pessoas, sempre liderado por alguém entre eles”, ressalta Magda. Ela ainda conta que os destino mais vendidos para esse perfil, no Brasil, são Foz do Iguaçu, ClubMed e outros resorts; já as internacionais ficam por conta de Nova Iorque, Las Vegas e países da Europa. “Há ainda os destinos mais exóticos como os localizados no Oriente, por exemplo”, acrescenta.
Além das viagens em grupo, aquelas realizadas com familiares também são muito comuns. Em algumas ocasiões, os idosos comemoram aniversários pagando uma grande viagem para toda família ao invés de dar uma festa.
O valor investido em uma viagem varia de acordo com a quantidade de dias, serviços, destino, hotel escolhido, entre outros. Mas, uma coisa é certa, viajantes da terceira idade não poupam quando o assunto é comodidade. “Posso dizer que estes clientes não economizam para terem conforto e saúde: procuram emitir passagens em executiva e contratar serviços privativos”, explica Mariana. “Alguns produtos e serviços para a terceira idade têm valor bem acima da média, como os seguros/assistências de viagem; em contrapartida, outros produtos e serviços, dependendo do fornecedor, dão desconto para a terceira idade”, completa. 
Grande parte desses passageiros viaja, no mínimo, duas vezes por ano; ou seja, muitas vezes, antes mesmo de embarcarem, eles já estão planejando a próxima viagem.
 
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