Decifrando rótulos

Os brasileiros têm dado cada vez mais importância à saúde e aos cuidados com o corpo, priorizando alimentos saudáveis. No entanto, é comum deixarem de dar atenção aos rótulos, que contém informações muito importantes sobre o produto adquirido, ou até mesmo, não saber interpretá-los.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, é a responsável pela regulamentação dos rótulos alimentícios e, de acordo com suas regras, é obrigatória a declaração de nutrientes em todas as embalagens, regulamentada pela RDC n. 360/2003. Os rótulos devem conter uma tabela nutricional com as seguintes informações: Porção; Medida Caseira; %VD: sigla que significa Valor Diário; Valor Energético; Carboidratos; Proteínas; Gorduras Totais; Gorduras Saturadas; Gorduras Trans; Fibra Alimentar e Sódio. Já “Outros minerais e Vitaminas” são obrigatórios quando se fizer uma declaração de propriedades nutricionais ou outra que faça referência a estes nutrientes, e podem ser declarados quando estiverem presentes em quantidade ≥ 5% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) por porção indicada no rótulo. A Anvisa também incentiva a dispor nos rótulos as informações referentes ao conteúdo de colesterol, cálcio e ferro, desde que o produto apresente quantidade ≥ 5% da IDR.
A Informação Nutricional Complementar (INC) é um componente opcional dos rótulos e chama a atenção do consumidor para uma qualidade nutricional específica do alimento. De acordo com a nutricionista Ana Carolina Junqueira Vasques, a rotulação representa a comunicação entre o produto e o consumidor, e no caso da INC, ela explica que são divididas em dois grupos: o primeiro traz declarações de propriedades relativas ao conteúdo de nutrientes absoluto, em que descreve a quantidade de um ou mais nutrientes e/ou valor energético contido; o segundo grupo traz declarações de propriedades comparativas. Neste, é a INC que compara os níveis de nutrientes e valor energético do alimento objeto com o alimento de referência (versão convencional do mesmo alimento que serve para destacar uma modificação seja para maior ou menor quantidade). As declarações de propriedades comparativas dizem respeito ao tamanho da porção do alimento, modo de preparo, presença de ácidos graxos ômega 3, ômega 6 e ômega 9, colesterol e açúcares.
A especialista, que também é professora na Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, explica que não há como estipular valores de consumo diário de forma coletiva. “As quantidades de nutrientes recomendados podem variar de acordo com a idade e com o gênero. Já as de energia, variam de acordo com a idade, gênero, estatura, peso corporal, e nível de atividade física”, esclarece.
É muito importante considerarmos que a ingestão excessiva ou insuficiente de qualquer nutriente pode trazer malefícios para a saúde. Quanto aos excessos, o consumo de calorias, por exemplo, favorece o desenvolvimento do sobrepreso e da obesidade; o de gorduras trans e saturadas contribui para o desenvolvimento de elevação dos níveis de colesterol sérico e de doença arterial coronariana e o de sódio favorece a elevação dos níveis pressóricos. Os únicos que trazem benefícios quando muito consumidos são as fibras alimentares que se relacionam à menor incidência de câncer de cólon, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Em baixo consumo, o cálcio e a vitamina D estão vinculados ao desenvolvimento de osteoporose em idades mais avançadas.
Quando o assunto é gordura, as preocupações aumentam, mas é preciso entender as diferenças entre os tipos existentes e como agem no corpo. O termo gorduras totais aponta a soma de todo o conteúdo de gordura presente no alimento, que pode ser composto pela gordura saturada e/ou gordura trans. “Os ácidos graxos saturados, quando consumidos além do recomendado, estão relacionados com alteração no perfil lipídico plasmático: aumento de LDL-colesterol – mau colesterol. Os ácidos graxos trans são gorduras que sofreram uma transformação em sua estrutura molecular durante o processo de hidrogenação catalítica. Essa se relaciona fortemente com o risco cardiovascular, especialmente em razão de elevarem a concentração plasmática de triglicérides, de colesterol total e de LDL-colesterol. Além disso, ambos possuem efeito adverso adicional, na redução dos níveis do HDL-colesterol (o bom colesterol, que atua como fator de proteção para eventos cardiovasculares)”, ressalta.
Embora todos os aspectos nutricionais sejam de grande importância na escolha de um alimento, é comum que as pessoas o avaliem por meio das calorias que apresentam, porém, isso não significa que o produto seja bom para todos. A nutricionista alerta que embora apresente baixo teor calórico, o alimento pode conter outros nutrientes não calóricos em excesso, como o sódio, o que pode ser prejudicial. “É interessante escolhermos alimentos com baixo %Valor Diário (VD) de gorduras saturadas, gorduras trans, colesterol e sódio; com alto %VD de fibras alimentares, gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas, que sejam fonte de vitaminas e de minerais como cálcio e ferro”, afirma.
Outras informações importantes são o prazo de validade e a lista de ingredientes, uma vez que nem todos podem ser ingeridos por portadores de algumas doenças, como a fenilcetonúria, que impede a ingestão de fenilalanina e alergias, como a doença celíaca, que impede o consumo de glúten. Segundo as regras da Anvisa, os ingredientes devem aparecer na tabela nutricional em ordem decrescente de quantidade.
Os valores indicados nos rótulos pela sigla %VD normalmente são baseados em uma dieta diária de 2.000 Kcal. Sendo assim, as pessoas que seguem dietas diferenciadas ou com restrições devem procurar profissionais da área de nutrição para ter uma orientação individualizada e calcular quanto podem consumir de cada nutriente.
 
Vamos decifrar?


Valor Energético
Energia obtida a partir do consumo de carboidratos, proteínas e gordura. Expresso em quilocalorias (kcal).
Um grama de gordura fornece, em média, 9kcal. Já um grama de carboidrato ou proteína fornece, aproximadamente, 4kcal.
 
Carboidratos
São os diferentes açúcares contidos nos alimentos, cuja principal função é fornecer a energia para as células do corpo, principalmente para o cérebro.
Fontes: massas, arroz, açúcar, mel, pães, farinhas, tubérculos (como batata, mandioca e inhame) e doces em geral.
 
Proteínas
Componentes dos alimentos necessários para construção e manutenção dos órgãos, tecidos e células.
Fontes: carnes, aves, peixes, ovos, leite e derivados, e leguminosas.
 
Gorduras Totais
Referem-se à soma de todos os tipos de gorduras encontradas em um alimento.
 
Gorduras Saturadas
Presente em alimentos de origem animal e vegetal. Geralmente sólida em temperatura ambiente.
Fontes: carnes, pele de frango, queijos, leite integral, manteiga, iogurte, coco, óleo de coco e azeite de dendê.
 
Gorduras Trans
Presente em grandes quantidades nos alimentos industrializados. Seu consumo deve ser reduzido, pois pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
Fontes: margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes, salgadinhos prontos, produtos de panificação, frituras e lanches com gorduras vegetais hidrogenadas.
 
Fibra Alimentar
Auxilia no funcionamento intestinal, na manutenção de bons níveis glicêmicos e de colesterol. Presente em alimentos de origem vegetal.
Fontes: frutas, hortaliças, feijões e alimentos integrais.
 
Sódio
Essencial para a regulação do balanço hídrico. Deve ser consumido com moderação, pois pode levar ao aumento da pressão arterial.
Fontes: sal de cozinha e alimentos industrializados.

  

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