Desmatamento na Amazônia

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O vapor d’água gerado na Amazônia e transportado pelas massas de ar tem impacto decisivo sobre o clima nas demais regiões do Brasil e principalmente sobre o ciclo de chuvas no Sul e no Sudeste. Essas são algumas das conclusões a que chegou a equipe do Projeto Rios Voadores, coordenado há dois anos pelo engenheiro e ambientalista Gérard Moss, com patrocínio de R$ 3,45 milhões do Programa Petrobras Ambiental e parceria da Agência Nacional de Águas (ANA).

As informações recolhidas pela equipe de pesquisadores permitirão mostrar até que ponto o desmatamento da região amazônica poderá afetar o clima brasileiro e como tal degradação pode alterar o ciclo hidrológico, que se refere à distribuição e circulação da água na natureza.

"O objetivo do estudo é entender melhor o trajeto percorrido por esses verdadeiros rios voadores, que viajam sobre nossas cabeças e podem ter volume maior que a vazão de todos os rios do Centro-Oeste, Sudeste e Sul", explica Gérard. Nessa expedição, ele recolheu cerca de 500 amostras de vapor d’água em diferentes camadas atmosféricas, entre 500 e dois mil metros acima do nível do mar.

As amostras recolhidas por Gerard foram analisadas no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), em Piracicaba (SP). Com base nas propriedades da gota d’água são definidos origem, dinâmica e deslocamento da água carregada pela massa de ar.

A coordenação científica do Projeto Rios Voadores é de Enéas Salati, agrônomo diretor Técnico da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Estudos realizados por ele há 30 anos revelaram que 44% do fluxo de vapor d’água que penetra na região amazônica vindo do Oceano Atlântico condicionam o clima da América do Sul e atingem as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Essas pesquisas são utilizadas até hoje como base para o conhecimento hidrológico da região e foram fundamentais para a elaboração do Projeto Rios Voadores.

Efeitos do desmatamento

Segundo dados do Projeto Rios Voadores, existe uma forte recirculação de água entre a superfície e a atmosfera, causada pela transpiração das plantas que compõem a floresta, o que contribui para os altos níveis de precipitação na Amazônia, que chegam a ultrapassar 2.400 mm/ano. Por isso, a destruição da floresta provoca alterações, ainda difíceis de quantificar.
"Uma árvore de grande porte coloca cerca de 300 litros de água por dia na atmosfera. Sua retirada não atinge somente a Amazônia, mas todas as outras regiões para onde a água é transportada pelos ventos. Tivemos no Brasil cerca de 600 mil quilômetros de terras desmatadas nos últimos 30 anos. Ainda não sabemos mensurar com precisão qual o impacto sobre o clima", observa Gérard Moss.

O coordenador da pesquisa aponta que apesar de a Amazônia legal representar, em média, 10% da população e do PIB do país, recebe pouco investimento em tecnologia. "É justamente lá que deveria haver muito mais investimento. O clima de São Paulo não tem impacto sobre a Amazônia, mas a região amazônica faz toda a diferença no restante do Brasil e até mesmo em outros países”.


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