Dia Mundial do Câncer

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O Dia Mundial do Câncer, instituído em 2005 pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) é celebrado em 4 de fevereiro. A data tem como objetivo chamar a atenção das nações, líderes governamentais, gestores de saúde e do público em geral para o crescimento do câncer, que atingiu proporções catastróficas no mundo, tornando-se uma ameaça às futuras gerações.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 12,7 milhões de pessoas são diagnosticadas todo ano com câncer e 7,6 milhões de pessoas morrem vítimas da doença. A expectativa é que, em 2030, sejam 26 milhões de casos novos e 17 milhões de mortes por ano no mundo, sendo que 2/3 das vítimas ocorrerão em países em desenvolvimento.

“O câncer hoje é a segunda principal causa de morte em todo o mundo, atrás das doenças cardiovasculares, com o envelhecimento da população, em 2030 passará a ocupar o primeiro posto”, afirma o oncologista Dr. Ricardo Caponero.

No Brasil, a situação não é diferente. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) prevê que pouco mais de 1 milhão de pessoas receberão, nos próximos dois anos, o diagnóstico da doença. Estima-se que os novos casos devam atingir 50,8% dos homens, sendo o câncer de próstata o mais comum entre eles. Nas mulheres, nas regiões Sul e Sudeste, o câncer de mama está em primeiro lugar, enquanto que nas populações mais carentes o de colo de útero lidera o ranking.

Mais eficazes e com menos efeitos colaterais
Se os prognósticos são avassaladores, a boa notícia fica por conta do avanço da medicina que leva à cura ou garante maior qualidade e expectativa de vida do paciente.

Ao receber o diagnóstico de câncer, os pacientes têm, na maioria das vezes, dois grandes temores. O primeiro é associá-lo a um “atestado de morte” e o segundo são os efeitos colaterais provocados pela quimioterapia. Ambos os medos precisam ser reavaliados na opinião do Dr. Enaldo Lima, ex-presidente da SBOC – Sociedade Brasileira de Oncologia.

“Nos últimos dez anos, o tratamento de câncer passou a ser domiciliar, muitas das drogas administradas em clínicas e hospitais hoje são orais, em cápsulas, aumentando exponencialmente a comodidade do paciente”, comentou Dr. Lima. Além disso, segundo ele, os remédios atuais são mais brandos, com toxicidade inferior aos mais antigos. “Com relação a queda de cabelo, enjôos, fraqueza e vômitos, os medicamentos atuais apresentam menores efeitos colaterais e ao mesmo tempo contam com eficácia bem superior”.

Um dos aliados no tratamento do câncer na mulher é a substância doxorrubicina lipossomal peguilada (DLP) para tumores de mama e de ovário, caracterizada por sua eficácia na redução de efeitos colaterais como náuseas, vômitos, fraqueza e queda de cabelo. O fármaco está presente dentro de pequenas partículas – os lipossomos – que, por sua vez, liberam a medicação no local do tumor. “Isso confere maior segurança ao paciente, uma vez que a molécula não circula no organismo, diminuindo os efeitos colaterais como queda de cabelos e alterações da medula óssea”, acrescenta Dr. Caponero.

“A DLP apresenta boas taxas de resposta, mas sem dúvida, em termos de benefícios, o mais interessante é a menor toxidade, principalmente cardíaca”, reforça o oncologista Dr. Anderson Silvestrini, atual presidente da SBOC.

Mesmo aqueles tratamentos que não são realizados em casa contam com enormes vantagens. É o caso das drogas para o câncer de próstata que, a exemplo do primeiro, também conta com importantes recursos. Um deles é o acetato de leuprorrelina. Administrado por via subcutânea, com agulha mais curta e aplicado apenas trimestralmente, diferencia-se por ser menos dolorido e necessitar de menor volume injetável, além disso, contribui para aumentar a qualidade de vida do paciente.

Isso sem falar nos medicamentos prestes a receber o registro, como é o caso da lenalidomida, que mudou no mundo a realidade do mieloma múltiplo (tipo de câncer da medula óssea). A droga, que há mais de dois anos aguarda liberação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), já é usada em mais de 70 países e aprovada desde 2006 pela Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos.

“Temos, cada vez mais, recursos para os pacientes recidivados e refratários com tratamentos de segunda linha. Além disso, haveria indicações de lenalidomida para a primeira linha e expectativa de que seja usada como tratamento de manutenção. Agora, essa droga, que beneficia milhares de pacientes no mundo inteiro, precisa ser urgentemente aprovada no Brasil”, reivindica a Dra. Vania Hungria, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Em qualquer que seja o tipo de câncer, é consensual que o diagnóstico não precisa ser associado à fatalidade. “Com as novas descobertas, tratamentos individualizados de acordo com a linha histológica e drogas cada vez mais avançadas e alvo-específicas, as taxas de remissão ou cura são hoje uma realidade incontestável, ao mesmo tempo em que a qualidade de vida do paciente é cada vez maior”, comenta Dr. Silvestrini.

 

 

 

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