Era para ser eterno…

Dados divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revelaram que, em 2014, foram registrados no Brasil 341,1 mil divórcios, contra 130,5 mil em 2004 – um salto de 161,4% em dez anos. Esse mesmo levantamento informou ainda que a idade média de homens e mulheres que se divorciam é acima de 40 anos, chamando atenção para uma gradual mudança de comportamento da sociedade brasileira.
Segundo a psicóloga clínica e terapeuta, Maria Lucia Mendonça Coelho, o crescente divórcio na maturidade se deve ao aumento da expectativa de vida e às mudanças no papel das mulheres na sociedade, cada vez mais autônomas, o que aumenta a possibilidade de alterações nos projetos de vida e na busca de uma nova experiência após anos em um “casamento falido”. “Hoje, uma pessoa de 50 anos tem possivelmente mais uns 20 a 30 anos pela frente. Isto pode motivá-las a investir em outra relação possível e diferente ou sair de uma relação que está paralisada sem projetos atualizados e buscar concretizar projetos e sonhos possíveis e desejados”, afirma a especialista. “Como há uma expectativa de vida maior hoje em dia, podemos ainda ter tempo para refazer os projetos de vida após 50 anos”, acrescenta. Sem contar que, hoje em dia, viver sem projeto de vida é motivo de muita angústia, pois gera sensação de não pertencimento ao mundo, acompanhada de um vazio. Geralmente, um casal com muito tempo de união tende a não reorganizar os projetos de vida e acabam se deparando, de acordo com Maria Lucia, com um relacionamento pobre, vazio e sem o que compartilhar.
Não existem muitas diferenças comportamentais entre os casais que se divorciam no início da relação e após muitos anos de casados. Porém, o jovem tem mais possibilidades e chances de refazer sua vida do que uma pessoa mais velha. Mas, em aspectos psicológicos, as diferenças podem existir dependendo de como cada indivíduo lida psicologicamente com essa situação. “Estas separações [na maturidade] não costumam ser amigáveis, pois se ocorreu o divórcio é porque o casamento não estava bem e geralmente sempre parte de um dos parceiros a iniciativa desta separação, o que pode muito bem ter ou não um consenso do parceiro/a”, afirma a psicóloga, que acredita que o divórcio exige planejamento, por envolver não só de patrimônios, mas também relacionamentos, como com os filhos, parentes e amigos.
As pessoas costumam achar que a rotina não é uma coisa boa, porém para um casal não é necessariamente ruim. Na maioria das vezes, as pessoas se casam encantadas com a pessoa amada, vendo nela apenas perfeição e coisas boas. Com a convivência, as pessoas podem acabar se decepcionando e descobrindo que o cônjuge não era aquilo que acreditava ser, pois passa a ver a pessoa real e não idealizada. “Como terapeuta, eu aconselho a conversarem. Mas, deve ser uma conversa franca e sincera para que possam falar de suas decepções e buscar propostas de mudança, novos acordos e projetos de vida, para que possam viver uma relação mais feliz e saudável” aconselha.
Existem outros itens importantes para acabar com a monotonia da rotina: tolerância, admiração, respeito, criatividade, “querer que dê certo” e rever contratos de convivência. “Podemos comparar um casamento com uma conta no banco. Se eu só tiro eu acabo falindo, é preciso estar disposto a investir e ter o que oferecer”, conclui a terapeuta. 
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