Fase vermelha em Campinas deve prejudicar ainda mais os bares e restaurantes

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) de Campinas e Região atribuiu a volta de Campinas para a fase vermelha – de amanhã até o dia 16 de março -, à falta de planejamento e gestão das administrações municipal e estadual. Em julho do ano passado, a cidade contava com 410 leitos exclusivos para atendimento a pacientes com covid-19. Hoje, são 290, dos quais 263 ocupados. Se os mesmos leitos do ano passado estivessem operando, a taxa de internação seria de 64,15%, com a cidade permanecendo na fase amarela.

Apesar do momento crítico da pandemia – com aumento nos números de casos, internações e mortes –, a Abrasel na Região de Campinas, vê como lamentável a administração municipal atribuir toda a culpa ao setor privado, quando ela mesma deixou de fazer sua parte, desmontando toda a estrutura hospitalar e reduzindo o número de leitos.

Segundo a entidade, o fechamento das atividades por mais 14 dias trará forte impacto para a economia local e para os estabelecimentos, especialmente bares e restaurantes, que já ficaram com 50% do atendimento proibido em 2020. Hoje, 60% das empresas operam com prejuízo (veja pesquisa abaixo), sem condições para pagar contas e salários.

A Abrasel na Região de Campinas ressalta que bares e restaurantes são estabelecimentos muito sensíveis, diferentemente de outros setores. Com 80% dos estabelecimentos comandados por micro e pequenos empresários, o setor vive do faturamento semanal para honrar suas contas. A cada semana fechado um bar ou restaurante vê aumentar sua dívidas, ainda mais sem a ajuda dos municípios e estado.

“O momento é muito delicado e estamos perto de presenciar uma segunda onda de falências e podendo atingir 30 mil demissões na região”, alerta o presidente da Abrasel de Campinas e região, Matheus Mason. “Muita gente já vendeu bens, tomou empréstimos e hoje não tem condições de sobreviver sem ajuda dos governos e pagar os salários dos funcionários e as dívidas com fornecedores.

“Nesta sexta teremos salários para pagar e diversos donos de bares me perguntaram se podem levar o holetire de seus funcionários na prefeitura para que ela pague os salários e evitem as demissões”, complementou o presidente da Abrasel na Região de Campinas.

Situação atual – Pesquisa

A situação financeira dos bares e restaurante se agrava a cada dia, à espera de ajuda. Com uma onda de novas restrições por todo o país, as empresas se veem emparedadas: por um lado, o faturamento cai. Por outro, as dívidas se acumulam. É o que mostra a pesquisa nacional da Abrasel realizada no fim de fevereiro, com mais de 1.500 respostas de todos os estados.

Nada menos que 80% das empresas disseram estar trabalhando sob restrições dos governos municipais e estaduais, um crescimento de 11% em relação ao último levantamento, feito em janeiro. Na média nacional, 60% das empresas dizem estar operando com prejuízo – em São Paulo, este índice chega a 72%. Outros 60% estão com pagamentos de dívidas (impostos, aluguel, fornecedores) em atraso, alta de 3% em relação à pesquisa anterior.

“É necessário e urgente contar com a ajuda dos governos estaduais e municipais, que só estão se mexendo para impor novas restrições, sem estender a mão a quem foi mais duramente impactado pela pandemia, de modo desproporcional”.

Bares e restaurantes estão pagando a conta, a meu ver, de maneira injusta. “Em São Paulo, por exemplo, o governo Doria, além de não trazer ajuda digna deste nome, ainda aumenta impostos de insumos essenciais, causando mais prejuízo num momento dramático por si só”, diz o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.

A pesquisa da entidade também traz uma análise comparando o faturamento entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021. Chama a atenção a drástica perda de receita. A faixa de bares e restaurantes que faturam mais de R$ 140 mil ao mês, por exemplo, teve queda de mais de 30%, enquanto as faixas de faturamento mais baixo cresceram.

Ou seja, a receita caiu de modo acentuado. Como a grande maioria (64%) teve de fazer novos empréstimos durante a crise, a pressão aumenta. Ainda mais em função das carências dos empréstimos, que começaram a vencer. Sem conseguir pagar nem mesmo impostos, 65% se veem em risco de sair do Simples Nacional, onde a maioria se enquadra.

“São várias frentes em que lutamos. A pesquisa mostra que 62% têm a percepção de que os custos com mercadorias subiram mais de 20% no ano passado, mas pouquíssimos viram condição de repassar isso ao cardápio, pelo risco de perder ainda mais receita.

“Outra questão é a dos empregos, já que com o fim do benefício emergencial, as empresas tiveram de recontratar pagando o salário cheio. Levamos isso para o governo federal e esperamos que em breve sejam anunciadas medidas para atacar o problema”, completa Solmucci.

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