Força do exemplo

Desde a primeira fala e os primeiros passos, tudo o que a criança faz e a forma como age está diretamente ligada às atitudes que os pais têm, seja com ela ou com os outros. Mais do que isso, o ambiente em que ela cresce – e, portanto, entende como o normal e correto – influencia no comportamento e até na sua personalidade. Não à toa, quando questionadas sobre seus “valores” ou pessoas que as inspiram, as primeiras imagens de referência que vem à cabeça são as dos pais; embora as dos heróis dos desenhos animados, professores e educadores que se encarregam dos ensinamentos por muitos anos, também entrem para a lista. É com o pai e a mãe (seja de sangue ou criação) que os pequenos aprendem a segurar os talheres, falar corretamente e até mesmo os valores que levarão para a vida toda.
O psicólogo e psicoterapeuta de crianças e adolescentes, Ivan Capelatto, explica que as crianças seguem os exemplos dos pais, na maioria das vezes, de duas formas: quando as condutas dos pais fazem parte de uma história cultural, como alguns tabus, crenças e manias, ou quando o prazer da imitação está presente. Além disso, o processo de “imitar” os adultos acontece mais por questões estéticas do que pelos valores propriamente ditos. “É uma escolha baseada no prazer, não na ética”, afirma.
O perigo está no fato de que, muitas vezes, os adultos apresentam atitudes não pensadas ou não aconselháveis, o que gera riscos ao desenvolvimento dos pequenos. “Hoje, os adultos estão muito ligados em prazeres: bebida, aparelhos que lidam com a virtualidade, como iPhones e, infelizmente, esses adultos têm se conduzido nas relações com muita agressividade”, explica. Devido a isso, é necessário se policiarem em relação a essa realidade, tentando perceber como os filhos imitam suas próprias condutas.
Um exemplo muito comum na sociedade tecnológica de hoje é quando a criança é proibida de usar as redes sociais, mas vê os pais utilizando as ferramentas com frequência. É aí que o tradicional ditado “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” entra em questão. Na cabeça da criança é contraditório ter que se portar de uma forma diferente do que os próprios adultos apresentam. “Quando os pais usam a internet para o trabalho, isso pode ser mostrado como uma necessidade, para que seja uma explicação clara e que não está carregada de ‘prazer’; mas quando ficam nas redes e proíbem os filhos, tudo fica muito confuso”, ressalta Capelatto. O profissional explica também que essa ambivalência torna os pais infantilizados; daí a necessidade de reforçar a importância do exemplo no desenvolvimento comportamental e psicológico das crianças.
As vantagens dos pais servirem como tal é que, se forem éticos, coerentes e justos, contribuem para uma boa formação; mas, se não são éticos, possuem costume de mentir para outros ou não são afetivos, a relação pode se tornar muito complicada.
Vale lembrar que os adultos de hoje foram inspirados pelos respectivos pais para se tornarem o que são; da mesma forma, as crianças de hoje se inspiram em seus responsáveis para construírem suas vidas. Por isso, é essencial transmitir os ideais da melhor forma, sempre com amor e comprometimento.  
Nenhum Comentário Ainda

Deixar uma Resposta

error: Content is protected !!