Jeep Grand Cherokee

A quarta geração do Jeep Grand Cherokee foi visto pela primeira vez no Brasil, durante o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, em Outubro de 2010. Suas vendas começaram em Janeiro desse ano. Totalmente reestilizado, e com perfil mais refinado, a nova geração do Grand Cherokee realmente surpreende pela atenção aos detalhes. Segundo o fabricante, trata-se do mais luxuoso Jeep fabricado até hoje. Foco de nossa avaliação, o Grand Cherokee Laredo mostra que chega para fazer frente aos melhores SUVs do mercado.

Estilo

A quarta geração desse Jeep utiliza uma arquitetura e carroceria bem diferente. Ainda fruto da já extinta parceria DaimlerChrysler, o novo SUV compartilha a plataforma do Mercedes-Benz ML. Com isso, recebeu suspensões independentes nas quatro rodas (a traseira era de eixo rígido até a terceira geração) e ganhou 13,4 centímetros na distância entre eixos e outros 5 cm na largura. O resultado direto é um interior mais espaçoso.

O desenho externo manteve as principais características, como a grade dianteira e as caixas de roda. As lanternas traseiras tiveram seu desenho inspirado nas do modelo Wagoneer, de 1962. A área envidraçada diminuiu, acompanhando uma tendência atual. O novo desenho melhorou também o coeficiente aerodinâmico (Cx), com valor 0,37 (antes era de 0,40).

Interior

Na linha 2011 o contato com o interior já surpreende. Os materiais têm toque agradável e o redesenho dos instrumentos e de todo o painel sugerem uma proposta mais moderna. O couro natural tem ótimo aspecto, com costuras precisas.

Outra vantagem da nova carroceria está na localização do estepe, agora alojado no fundo do porta-malas (antes o pneu reserva ficava sob o carro). Ali há também uma lanterna com bateria recarregável. A forração do compartimento de bagagem foi revista para evitar que o tira-põe das malas deixe marcas e arranhões. E por falar em bagagem a capacidade de carga na traseira é cerca de 11% maior do que no modelo anterior, com 782 litros no total.

Novo Motor V6 Pentastar

A história do Grand Cherokee começa em 1992. Ao longo de quase 20 anos, muitas mudanças aconteceram no modelo. Mas, talvez a que chame mais atenção, nesse momento, seja sua nova motorização. A Jeep acostumou o cliente brasileiro, desde a primeira geração do utilitário, a contar com o torque e a potência de um motor V8. Primeiro o 318 de 5,2 litros. Logo depois, na segunda geração, o V8 de 4,7 litros. Na terceira geração, existiam duas alternativas: os V8 Hemis de 5,7 e 6,1 litros (este último restrito à versão SRT-8). Porém, com o atual Grand Cherokee os oito cilindros ficam para a história, ao menos por enquanto.

A quarta geração do Jeep Grand Cherokee chega com o novo motor V6 de 3,6 litros Pentastar, com quarto válvulas por cilindro. Este novíssimo motor apresenta duplo comando de válvulas sobre o cabeçote (DOHC) e bloco do motor em alumínio fundido em uma configuração de 60 graus. Ele está equipado com o comando variável de válvulas (VVT). Sua potência máxima é de 286 cavalos a 6.350 rpm e tem 35,4 Kgfm de torque máximo a 4.300 rpm. Vale destacar que 90% desse valor estão disponíveis em toda a faixa de 1.600 a 6.400 rpm. Ainda que a Chrysler no Brasil venda a Cherokee como um carro à gasolina, esse motor V6 Pentastar é um E85, ou seja, capaz de usar até 85% de álcool.

Transmissão e Tração

Esse novo motor está associado à transmissão automática W5A580 de cinco velocidades. Ela inclui um controle eletrônico adaptativo para a troca de marchas em modo automático. Caso o motorista prefira, existe o modo seqüencial (ERS) que permite a seleção da marcha mais alta a ser utilizada. Ainda sim, as trocas sequenciais são pouco convidativas por exigir movimentos laterais.

A Grand Cherokee vem equipada com a tração 4×4 integral Quadra-Trac II. Ele usa vários sensores a fim de “perceber” o momento exato de possíveis perdas de tração e com isso adotar correções necessárias. Quando a falta de aderência em uma roda é detectada, até 100% do torque disponível é direcionado para o eixo com mais tração. Já o acionamento da reduzida é feito por um botão próximo ao seletor de terrenos. Com a reduzida engatada, a impressão é que se pode subir uma parede com o carro.

Também está presente o controle de tração Select-Terrain permite que o motorista escolha a configuração off-road ideal em todos os tipos de terrenos. Esta função coordena eletronicamente até 12 combinações diferentes do conjunto motor-transmissão, sistemas de frenagem, incluindo o controle de aceleração, mudança de marchas, caixa de transferência, Controle de Tração e Programa Eletrônico de Estabilidade (ESP). O mostrador de controle Select-Terrain permite que o motorista escolha entre cinco condições de rodagem para obter os melhores resultados em qualquer tipo de terreno. Assim estão disponíveis seleções para: pedras, neve e lama ou areia. A posição central é a automática, onde o carro se adapta sozinho a diferentes condições. Há ainda a seleção esportiva, direcionada apenas para uso em asfalto.

Desempenho

Ainda que o modelo não tenha mais o motor V8, o novo motor V6 aliado à transmissão automática de 5 marchas, não faz feio. Essa configuração leva o novo modelo de 0 a 100 km/h em apenas 9 segundos, e atinge velocidade máxima de 206 km/h. Uma vantagem da redução de cilindrada é o menor consumo. Andando de forma moderada na cidade, registramos uma média de 6,5 km/l. Já na estrada, com velocidade de 120 km/h e ar-condicionado ligado, a média subiu para 10 km/litro. Segundo a Chrysler esse motor é 10% mais econômico que o antigo V6 de 3,7 litros, embora seja 38% mais potente. Não podemos esquecer que estamos falando de um veículo que pesa nada menos que 2.191 kg e tem as seguintes dimensões: comprimento – 4,82 m; largura – 1,94 m; altura – 1,78 m e entre-eixos,   2,915 m! A capacidade do tanque é de incríveis 93,5 litros. Autonomia não é problema para o modelo. Porém a conta do tanque…

Segurança

Com tanta potência, a segurança não poderia ser esquecida. Esse Jeep traz controle de estabilidade e freios com antitravamento (ABS) devidamente calibrado para pisos irregulares. Há também o sistema contra rolagem da carroceria (ERM), mas, como não existe mágica e o Grand Cherokee tem centro de gravidade alto (pesa quase duas toneladas), ainda é preciso atenção em trechos de serra e curvas acentuadas.

Para proteger os ocupantes em caso de colisão há vários airbags: 2 frontais, 2 laterais (para os bancos dianteiros), 2 do tipo cortina (que abrangem ambas as fileiras de bancos) e outro para os joelhos do motorista. Os apoios de cabeça são ativos e a pressão dos pneus é monitorada pelo computador de bordo.

Em junho de 2010, o Jeep Grand Cherokee conquistou o prêmio Top Safety Pick do Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) – a mais alta distinção atribuída por esta instituição. Os veículos premiados com o ‘Top Safety Pick’ têm de atender os mais altos padrões de desempenho em crash-tests, englobando itens de segurança de última geração para garantir a melhor proteção nos casos mais comuns de impactos.

Equipamentos

Os principais itens de conforto e conveniência equipam o modelo como: ajustes elétricos nos bancos dianteiros (o banco do motorista conta também com ajuste lombar elétrico); encosto do banco traseiro reclinável em até 18 graus; volante com controles de áudio, velocidade de cruzeiro e computador de bordo; ar-condicionado digital e automático de duas zonas; ajuste manual de altura e profundidade do volante; espelho retrovisor interno eletrocrômico; bancos dianteiros e traseiros com aquecimento; boa oferta de porta-objetos e saídas de ar-condicionado para o banco traseiro.

Entre os destaques está o completo computador de bordo com tela de 4,5 polegadas no centro do painel. Nele é possível ver todas aquelas funções tradicionais de consumo, tempo de viagem e etc. Mas o diferencial nesse item é que informações como: temperatura da água, temperatura do e pressão do óleo do motor, temperatura do óleo da transmissão e tempo de funcionamento do motor (em horas) também estão presentes!

O sistema de áudio é um capítulo à parte. Ele vem com nove alto-falantes e enorme capacidade de armazenamento de músicas. Esse sistema de áudio e entretenimento MyGIG, utiliza tela de LCD sensível ao toque (touchscreen). Com o MyGIG é possível copiar, armazenar e executar arquivos de música, assistir DVDs, importar e visualizar fotos. O sistema conta com um HD interno com 28 GB de capacidade. As músicas podem ser copiadas a partir de um CD ou via entrada USB, através de um pen-drive. Vale destacar que não é possível reproduzir a música diretamente do pen-drive, como acontece na maioria dos equipamentos que contam com a porta USB no sistema de áudio. O sistema ainda conta com uma entrada auxiliar P2.

A fidelidade acústica impressiona, deixando a Cherokee no mesmo patamar de automóveis de alto luxo, quando o assunto é música. E para quem ainda quer mais, o sistema ainda inclui o Bluetooth Uconnect com comando de voz, permitindo a conexão de celulares compatíveis, no modo viva-voz.

Se tudo isso não fosse o bastante, o Jeep vem equipado com sistema de partida sem chave definido por Enter-N-Go. Na prática, o motorista (com a chave no bolso), destranca o carro simplesmente puxando a maçaneta da porta, entra no carro e aperta o botão de partida do motor. Tudo isso sem tirar a chave do bolso. Para desligar o carro, basta pressionar o mesmo botão de partida, sair do carro e apertar um pequeno botão na maçaneta para trancar o carro. Mas se ainda sim o motorista quiser usar a chave, para abrir ou fechar o carro, existem botões de abertura e fechamento que operam no modo de controle remoto tradicional.

Dirigibilidade

Em nossa avaliação, o Grand Cherokee mostrou um rodar bastante silencioso. A 120 km/h pouco se ouve, prova de um isolamento acústico eficiente. O comportamento em curvas melhorou, por conta das suspensões independentes, e as ondulações já não prejudicam tanto o controle do carro como antes. A direção tem assistência na medida exata, tanto em manobras como no tráfego rápido em estrada, e o volante com boa empunhadura reforça a sensação de dirigir agradável.

Em trechos de terra e piso irregular, o Grand Cherokee não perde performance e mantém o conforto para os ocupantes. As suspensões estão bem calibradas para essa condição. Outro ganho importante com a carroceria atual está na maior rigidez torcional em razão da maior quantidade de pontos de solda. No fora-de-estrada, aquela fantástica capacidade de transpor obstáculos difíceis continua presente e muito eficiente.

Preço

O modelo é produzido em Detroit, nos Estados Unidos, e está disponível em duas versões: Laredo, de R$ 154,9 mil, e Limited, de R$ 174,9 mil, ambas equipadas com o motor Pentastar V6. A diferença de R$ 20 mil é que só a Limited vem com teto solar, sistema de entretenimento para o banco traseiro (com monitor de DVD no teto), maçanetas e outros detalhes cromados, ajuste elétrico do volante, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros (item que faz muita falta na versão Laredo), câmera de ré e memória para os ajustes do banco do motorista, do volante, dos retrovisores e das estações do rádio.

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