Mercedes-Benz CLC 200 Kompressor




O cupê da Mercedes tem uma história interessante. Poucos sabem, mas esse é um Mercedes-Benz “Made in Brazil”. Lançado em Março de 2009 no mercado brasileiro, o cupê de luxo (CLC 200) é montado desde janeiro de 2008 na fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Inicialmente, o modelo foi oferecido apenas no mercado europeu. Na época, uma das explicações para a indisponibilidade do modelo para o Brasil era de que o sistema de produção em CKD (completely knocked down) deixaria o CLC caro para os padrões brasileiros. Afinal, as peças do veículo em grande parte são importadas da Europa, e montadas no Brasil.

Mas o que realmente fez com que o modelo demorasse mais de um ano para chegar às revendas brasileiras foi uma questão de prioridade. Para a marca, o mercado europeu é o principal centro comercial, com as vendas fortes. Por isso, nada mais plausível que apresentar o lançamento primeiro aos consumidores do velho continente. Atualmente, o preço inicial de R$ 128 mil do CLC 200 Kompressor ainda deixa o produto restrito a uma pequena parcela de clientes. Ainda sim, o CLC tem sua importância no Brasil. O modelo é o terceiro Mercedes-Benz mais vendido, atrás apenas da minivan Classe B e do sedan médio Classe C. A boa fase motivou inclusive a oferta da versão Kompressor Sport.

Estrutura e Estilo

Por debaixo do desenho atual, inspirado no novo Classe C, o CLC mantém a base da antiga geração do sedan médio, que também era a mesma do antecessor Classe C Sports Coupé, lançado em 2001.Visto de fora, no entanto, é quase impossível perceber semelhanças entre o cupê antigo e o CLC atual. No CLC, a frente tem o mesmo desenho da versão Avantgarde da nova geração do Classe C. Nas laterais, as portas lembram muito o Sports Coupé, assim como o caimento acentuado do teto e a linha de cintura ascendente. A traseira também conserva parte do visual antigo, mas as lanternas agora invadem a tampa do porta-malas. Outra novidade é a luz de freio auxiliar embutida na parte superior da tampa, e composta por uma fileira de 24 leds.

Motor

Apesar de manter parte da base do antigo Sports Coupé, o CLC não deve ser considerado um carro ultrapassado. Assim, a montadora aprimorou consideravelmente a mecânica,  inserindo novos equipamentos. O motor 1.8 litro, por exemplo, é o mesmo que equipa a nova geração do Classe C, que recebeu novos pistões, entre outras modificações. As mudanças adicionaram 28 cavalos de potência máxima, que agora chega a 184 cavalos (a 5.500 rpm). O motor quatro cilindros em linha e 16 válvulas tem torque de 25,5 kgfm, disponível desde os 2.800 giros até os 5 mil rpm. Esse bom rendimento é obtido graças ao compressor mecânico.

Junto com o motor, está o cambio automático de cinco marchas, que também inclui o modo sequencial para as trocas.

Suspensão

O CLC tem ainda um conjunto de suspensão moderno, com estrutura McPherson na dianteira, com três braços de alumínio, e do tipo Multilink atrás, com braços múltiplos. Nos dois eixos, os amortecedores a gás são controlados eletronicamente pelo sistema Direct Control, que adapta o conjunto ao tipo de piso ou ao estilo de condução – ficam mais macios, para favorecer o conforto, ou mais rígidos, para suportar uma direção mais agressiva.

Equipamentos

Considerando o preço e a categoria que o CLC está inserido, o modelo oferece um conteúdo razoável. Entre os itens de segurança, estão freios a disco nas quatro rodas com ABS e distribuidor eletrônico EBD que incluem o assistente de emergência BAS; controles de estabilidade e de tração e seis air-bags (duplos frontais de dois estágios, laterais dianteiros e do tipo cortina).

Entre os equipamentos estão presentes: sensores de chuva e de monitoramento da pressão dos pneus, ar-condicionado analógico de duas zonas, direção hidráulica, computador de bordo, faróis automáticos com regulagem elétrica de altura; controle de cruzeiro e rádio CD-Player compatível com MP3 e suporte a conexão Bluetooth. Esse sistema de áudio que inclui a conexão Bluetooth, não permite, por exemplo, a reprodução de música remota (de equipamentos compatíveis) sem o uso de fios. Apenas o uso como viva-voz, conectado a celulares é possível. As informações da ligação, por sua vez, são exibidas em uma pequena tela no console central (a mesma utilizada pelo computador de bordo).

Interior

O interior do CLC traz revestimento parcial de couro nos assentos, no volante multifunção e na manopla do câmbio, além de detalhes em alumínio escovado no painel. O interior é requintado, mas com um toque de esportividade, apropriado ao cupê de entrada da marca. Seu porta-malas na posição normal oferece 310 litros de capacidade. Porém, com os bancos traseiros rebatidos, o espaço sobe para 1.100 litros.

Dirigibilidade e desempenho

O ponto alto do cupê é a sua dirigibilidade. Com o motor ligado, já se nota uma resposta sonora, com um ronco estimulante do motor. Porém, o ronco é suave. O isolamento acústico, bastante eficiente, evita ruídos indesejados no interior do veículo. É na estrada que se comprova a vocação do cupê. O câmbio automático, ainda que de cinco marchas faz o cupê acelerar com vigor.  Sua aceleração de zero a 100 km/h acontece em 8,6 segundos. A velocidade máxima é de 231 km/h.  Considerando um peso total de 1.950 kg, é uma excelente marca. Com um tanque de 62 litros, e um consumo médio de 11 km/l na estrada, a autonomia do CLC é excelente na estrada. Na cidade, a média cai para cerca de 7 km/l.

E quando é preciso encarar curvas sinuosas, o CLC também faz bonito. A sensação é de ter sempre o veículo nas mãos, com grande equilíbrio. E na cidade o CLC consegue entregar também um bom nível de conforto, tanto para o motorista quanto passageiros. Mas é evidente que o carro tem um comportamento esportivo, resultando num estilo mais “duro”.

Mercado

O preço do CLC deixa o cupê da Mercedes na mesma faixa do Audi A3 Sportback 2.0 Turbo com câmbio S-Tronic, e o Volvo C30 T5 2.5litros. O CLC é também um pouco mais caro que o BMW Série 120i automático. Porém o concorrente da BMW tem carroceria hatch com quatro portas e motor 2.0 litros aspirado de apenas 156 cavalos, enquanto o motor 1,8 litro Kompressor do CLC chega a 184 cavalos, graças ao compressor mecânico. Apesar de ser o esportivo de entrada da Mercedes-Benz e de ter herdado a estrutura em monobloco do antigo Sports Coupé, de 2001, o CLC exibiu um desempenho compatível com a sua proposta. Assim, o cupê entrega o que promete: diversão ao volante.

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