Mercedes CLS 350

Conhecida por sua sobriedade, a Mercedes-Benz resolveu ousar alguns anos atrás, em 2003. Na época, a marca ampliou sua oferta com modelos diferenciados. Nesse momento vieram o Classe B, o Classe R, o CLS, entre outros.

Logo, o CLS virou referência, e fez a concorrência correr atrás do prejuízo. O VW Passat CC e o Porsche Panamera são discípulos da filosofia “cupê de quatro portas”, inaugurada pelo Mercedes CLS, que é uma fusão de um cupê puro, com a comodidade de um sedan de quatro portas. O Mercedes CLS foi desenvolvido sobre a plataforma do Classe E, não para substituir o sedan de luxo da marca alemã, mas para agradar o executivo europeu que gosta de um cupê esportivo e luxuoso.

Reestilização

A Mercedes Benz foi conservadora na hora de mexer em um de seus modelos mais arrojados. Para que o CLS continuasse atual, recentemente (em 2008), a Mercedes promoveu algumas alterações no modelo. A grade dianteira é nova, com duas aletas em vez das quatro de antes. As luzes de direção, em forma de flecha nos retrovisores, utilizam LEDs como iluminação. O mesmo efeito é utilizado nos indicadores da lanterna traseira, que ganham destaque à noite. As rodas aro 17 polegadas da CLS 350 também são novas, com desenho discreto, e usam pneus 245/45.

Na versão de entrada, o CLS 350 (foco de nossa avaliação), vem equipado com motor V6, de 272 cavalos, aliado a uma das melhores transmissões automáticas da atualidade, a 7G-Tronic de sete marchas. O carro também é oferecido na versão CLS V8 e CLS AMG. A primeira tem propulsor 5.5 litros V8, de 388 cavalos, enquanto a opção AMG, com foco esportivo, é equipada com o 6.3 litros V8, que entrega nada menos do que 514 cavalos. Com este singular conceito de cupê de quatro portas, a Mercedes-Benz conseguiu combinar a excitação do formato cupê com o conforto e a praticidade diária de um sedan.

Estilo

Apesar de ter quatro portas, o carro sugere as linhas de um cupê, passando esportividade. O CLS integra o grupo de modelos mais sofisticados da marca alemã, esbanjando luxo e sofisticação.Ele apresenta uma linha que concilia características contraditórias, como: dinamismo com tamanho grande e potência com elegância. Desta forma, o estilo reflete o caráter emocional focalizado na experiência do CLS.

O ângulo agudo na transição entre o vidro traseiro e o porta-malas é sem dúvida a característica mais chamativa da linha do teto, pois estas medidas permitem que a altura das superfícies envidraçadas laterais se mantenha reduzida, reforçando o dinamismo e o perfil de coupé da carroceria da CLS.

O estilo frontal parece inovador, quanto familiar. Inovador, porque os faróis criam uma face Mercedes-Benz diferente e interessante, e familiar devido à tradicional grade laminada do radiador, com a estrela centralizada.

Interior

Em seu interior, materiais de alta qualidade ficam em destaque. O painel de instrumentos do CLS 350 combina características clássicas e modernas, mantendo sempre a tradição da marca. O acabamento impecável, com o interior revestido em couro, é uma delas. O grande relógio analógico no quadro de instrumentos também continua lá.

Como um grande instrumento indicador, o velocímetro localizado no centro é ladeado por dois instrumentos menores para as rotações do motor e o relógio, bem como dois mostradores gráficos externos mostrando o nível de combustível e a temperatura do motor. Mostradores pretos e acabamentos cromados brilhantes enfatizam a aparência de alta qualidade.

A peça central é o volante, cujos botões iluminados permitem o acesso às informações ao toque dos polegares. Rádio, telefone, sistema de navegação e outras unidades podem ser acessados por esses comandos.

Mas bem que algumas tradições poderiam ser deixadas de lado. Em plena era da eletrônica, o freio de estacionamento acionado por um pedal (como nas picapes) é coisa do passado. Até o VW Passat, bem mais barato, tem freio-de-mão eletrônico. A marca também poderia mudar a posição da alavanca do controlador automático de velocidade, que se confunde com a da seta.

O formato dinâmico do console central prolonga-se até a parede traseira, separando os dois bancos individuais atrás. Os compartimentos integrados no console central, entre os bancos individuais da traseira, são cobertos com persianas enroláveis. É importante destacar que o espaço no banco traseiro é relativamente limitado. Mesmo o CLS sendo um carro grande, ela continua sendo um cupê 2+2. O desenho do teto limita o espaço traseiro. Assim, pessoas com mais de 1,75 m sentiram certa falta de espaço para as pernas. Como o cliente do CLS é tipo de um público mais jovem, que busca esportividade, fica claro que os bancos traseiros estão lá por conveniência, e não por utilidade. A Mercedes Benz tem a opção do sedan Classe E, para quem procura conforto no banco traseiro.

Eletrônica embarcada

Ao se sentar pela primeira vez no banco do motorista, para dirigir esse moderno cupê, as coisas se complicam um pouco. Acionar corretamente seus comandos exige alguns minutos de reconhecimento, para operá-lo sem cometer erros.

Seus bancos contribuem para o alto nível de conforto. São estofados em couro de alta qualidade, com ajuste elétrico de distância, altura e ângulo, combinados com função de memória. Permite que os ajustes individuais para o volante, espelhos externos, assento e protetores de cabeça sejam armazenados. Os dados são transferidos para a chave eletrônica e, são recuperados sempre que o motor é ligado. Outro recurso muito interessante é o ar-condicionado automático quatro zonas Thermotronic. Ele oferece ajuste de temperatura digital para cada um dos quatro ocupantes da CLS.

Aos poucos a Mercedes vai aderindo às modernidades. O CLS agora vem com um novo sistema de áudio, definido por Comand APS. Suas características principais são: a tela colorida de 6.5” de alta definição, disqueteira para até seis discos integrada ao painel compatível com CDs de áudio e DVDs de áudio e vídeo; sistema navegação por disco rígido com Birdview (não funciona no Brasil por falta de compatibilidade com os mapas locais), Music Register de 4 GB para arquivos compactados de música; entrada para cartão tipo SD Card e interface Bluetooth para viva-voz via celular. Aliado a tudo isso, ainda existe o fantástico sistema de som Hi-Fi LOGIC7, da Harman-Kardon. Mesmo especialistas em som, não tem o que reclamar da qualidade desse conjunto.

Porém, mesmo com tanta tecnologia, ainda faltou a conexão com iPod e a tela sensível ao toque, que alguns concorrentes já trazem. Também faltou a conexão do Bluetooth Stereo, que permite a reprodução de música a partir de um celular compatível, no sistema de som do carro, sem o uso de fios. Esse último recurso já está disponível até mesmo em carros fabricados no Brasil, de gama média.

Segurança

Vários são os itens de segurança. Para começar, há air-bags frontais, laterais e nas janelas, que inflam conforme a força de impacto da colisão aliados aos encostos de cabeça ativo, dos bancos dianteiros, tipo Neck-Pro. Herdado da Classe S, o sistema de freio Adaptive Break proporciona maior segurança e conforto, graças ao controle eletrônico dos freios hidráulicos de duplo circuito. Também faz parte da lista de itens de série da nova CLS o sistema automático de aviso de perda de pressão nos pneus.

Também estão presentes faróis de bi-xenônio, com luzes ativas (viram ligeiramente para o lado que o carro esta fazendo a curva) e luz auxiliar para curvas (se acende em manobras de baixa velocidade, iluminando um ângulo de 45 graus). Esses itens melhoram bastante o campo visual, ampliando consideravelmente a segurança no escuro.

Motor e câmbio

O cupê CLS 350 está equipado com a nova geração de motores V6 Mercedes-Benz, que já equipam as Classes C, E, SLK, CLK e M, no Brasil. Esse motor à gasolina, com seis cilindros em V e comando duplo variável, tem 24 válvulas e 3,5 litros. Com ele, obtem-se 272 cavalos de potência máxima à 6.000 rpm, e 35,7 kgfm de torque máximo entre 2.400-5.000 rpm.

Aliado a esse eficiente motor, está a evoluída transmissão automática 7G-TRONIC, de sete marchas. Esse câmbio tem três modos de funcionamento. No “comfort”, as trocas são as mais suaves possíveis e o sistema busca logo uma marcha elevada, para melhorar o consumo. A opção “sport” efetua as mudanças com a rotação mais próxima da zona de corte do motor, e reduz as marchas quando a gente freia. Por fim, temos o modo manual. Além de permitir as trocas por borboletas, atrás da direção, esse “setup” diminui em 0,2 s a aceleração de 0 a 100 km/h, diz a marca.

Desempenho

Com esse conjunto, o CLS 350 acelera de 0 a 100 km/h em menos de 7 segundos, e atinge uma velocidade máxima de 250 km/h (limitada eletronicamente). Imagine o que não fazem a CLS 500, de 388 cv, e a CLS 63 AMG, de 514 cv!?

Mesmo com tanto desempenho, esse motor V6 se apresenta muito eficiente. Mesmo pesando 1.730 kg, o consumo urbano fica na casa dos 6 km/l. Já na estrada, em velocidade moderada, a média sobe para quase 10,0 km/l. Considerando o tamanho do carro e do motor, essa é uma média muito boa e com um tanque 80 litros, sua autonomia é excelente.

Dirigibilidade

O cupê impressiona pelo silêncio ao rodar, conforto, estabilidade e segurança em ultrapassagens. As borboletas na direção são um belo exemplo de como a Mercedes vem aderindo à esportividade. O próprio volante passou a ser de três raios, mais esportivo, nesta versão reestilizada. A suspensão não é rígida a ponto de ser desconfortável, mas também não decepciona nas curvas. Esse super cupê, de quase 5 metros de comprimento e 2,1 metros de largura, segue firme mesmo em ritmos velozes, embora não seja o mais indicado para trechos travados, por conta de seu porte.

Porta-malas

Uma olhada no porta-malas também mostra que o Classe CLS é um carro ideal para viagem. O posicionamento do tanque de combustível, sob os assentos traseiros, permite que ele ofereça uma boa capacidade de bagagem, com 505 litros.

Outros equipamentos

A CLS 350 vendida no Brasil é completa de série: cintos de segurança com pré-tensor e limitador de esforço, programa eletrônico de estabilidade (ESP), controle de tração (ASR), detector de ocupação do assento do acompanhante, freios ABS nas quatro rodas e de emergência BAS, retrovisor interno e externo esquerdo com antiofuscante automático, retrovisores externos rebatíveis com ajuste elétrico e memória, sistema de alarme (EDW), vidros elétricos com proteção antibloqueio, teto solar de vidro com ajuste elétrico, computador de bordo com display multifuncional, indicador de intervalos para manutenção ASSYST, limitador variável de velocidade (Speedtronic), sensor de chuva de dois estágios, sistema "Parktronic" (PTS), coluna de direção com ajuste elétrico e memória, persiana do vidro traseiro com acionamento elétrico e volante multifuncional.

Preço

O CLS ainda atrai a atenção nas ruas como se fosse lançamento, a despeito de seus quatro anos de idade. Claro que ajudam nisso as vendas restritas do carro, que venderam apenas 60 unidades em 2009 (até agosto). Parte dessa exclusividade vem do preço de R$ 310 mil. Ou seja, um carro para poucos.

 

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