Momentos em família

A era digital fez com que muitas famílias deixassem de lado os momentos que vivenciavam juntas. As conversas não são mais praticadas como antes e a questão afetiva também parece ter mudado. Mas, a questão é: como resgatar os antigos costumes?
Não há como negar que a comunicação familiar sofreu interferências devido à modernização. Hoje, os filhos preferem recorrer à internet ou à televisão, por exemplo, para esclarecer pequenas dúvidas que os próprios pais são capazes de responder, além disso, o diálogo está cada vez mais distante entre os parentes. Ao contrário das décadas passadas, em que, embora não houvesse tanta liberdade para falar sobre diversos assuntos, a família mantinha o hábito de realizar a maioria das atividades junta e uma das maiores diversões era conversar entre si. Um cenário que dificilmente encontramos hoje em dia.
Mas, afinal, a quem devemos culpar: a internet ou o ser humano?
Na opinião da terapeuta de relacionamentos, Margaret Montgomery, a importância da convivência familiar deve ser passada para os filhos desde cedo, fazendo que os momentos ao lado dessas pessoas seja algo positivo. “Se a criança convive com os parentes desde a infância e também ouve dos pais comentários positivos sobre essas reuniões em família, com certeza, ela cria não só uma amizade duradoura com os primos como também aprende que a convivência com os seus pode ser prazerosa”, explica. Do mesmo modo, os momentos em família ensinam a criança se socializar e dividir espaços. “Na infância, a hierarquia é reconhecida nas reuniões familiares, quando estão presentes os avós, os tios, os primos”, completa.
Os tablets, celulares, computadores e televisões são considerados os maiores vilões do momento, pois criam um espaço entre as pessoas, mesmo que elas estejam sentadas à mesma mesa. Para constatar esse fato, basta observar nos restaurantes, shoppings, dentro dos carros etc. O diálogo parece inexistente. “Creio que para se relacionar melhor com o mundo, a internet foi uma grande descoberta, mas, por outro lado, aprisionou muitas pessoas em pensar que podem substituir uma boa conversa olhando nos olhos e vendo as reações do outro”, afirma a terapeuta. Ledo engano dessas pessoas. Nada substitui o diálogo, até porque ele ainda é a melhor ferramenta que as pessoas têm para conhecer umas as outras. Ao invés de tentar culpar a tecnologia por isso, seria mais fácil mudar as atitudes e criar espaço para que a conversa aconteça. “A tecnologia em si é neutra. São as pessoas que usam esses meios que precisam de consciência”, ressalta Margaret.
É importante lembrar que é na vivência familiar que se aprende a amar, respeitar e compreender. E isso, nem o Google é capaz de ensinar.

Nenhum Comentário Ainda

Deixar uma Resposta