Noivas de 68

Em celebração ao mês de maio, considerado o mês das noivas, o Atelier Vivaz, de Campinas, realiza a exposição coletiva “Noivas de 68”, com curadoria de Maria Inês Saba, que estará aberta a partir de amanhã, dia 7. O tema proposto aos artistas remete a quase cinquenta anos atrás, levando a um retrospecto da história do Mundo.
Participam desta exposição os artistas Alexandre G Vilas Boas (Guarulhos/SP), Alexandre Zaghetto (Brasília/DF), Alvaro Azzan (Campinas /SP), Andrea Mendes (Campinas/SP), Claus Steger (Campinas/SP), Cristina Brahemcha (Jundiaí/SP), Davi Faustino (Goio-Erê/PR), Erika Pedraza (Campo Grande/MS), Gejo Thedamn (São Paulo/SP), Giuseppe Ranzini (São Paulo/SP), Leo Brizola (Belo Horizonte/MG), Lícia Simoneti (Limeira/SP), Márcia Vinhas Fernandes (São Paulo/SP), Oscar Rodriguez Ortas (Málaga/Espanha), Patricia Amato (São Paulo/SP), Paulo Ely (Campinas/SP), Renato de Sousa (Louveira/SP), Rosy Jesus Vaz (Santa Bárbara d’Oeste/SP) e Sergio Augusto Oliveira (Guarulhos/SP).
A mostra ficará aberta até dia 3 de junho, das 10h30 às 17h, no Atelier Vivaz, situado à Rua Dr. Sampaio Ferraz, 541, Cambuí, em Campinas. Vale lembrar que para a visitação é preciso agendamento prévio, de terça a sexta-feira, das 10h às 16h.

Abaixo, leia na íntegra o texto “Divagando pelo Maio das Noivas de 1968…”, escrito pela curadora do evento.
“Noivas brasileiras, em 1968, tinham como parâmetro a Europa. Buscavam na Moda, seus modelos de vestidos e lingerie, maquiagem, perfumaria e acessórios. A elegância, a majestade e a sobriedade ditavam aos noivos sua vestimenta. O design francês e inglês dominava nas louças e tecidos para as moradias. Era de praxe as Noivas francesas e brasileiras casarem em maio. E a tradição, depois de 68, resultou enfraquecida.
Maio de 68 foi um ano político. No Brasil, estudantes lutavam contra o regime militar e por melhor educação. Na França, a revolta de maio opôs estudantes e polícia em batalhas violentas. Nos Estados Unidos, a revolta contra uma guerra inglória no Vietnã e o racismo. Em todos, o desejo da luta por varias formas de liberdade que se espalhou: Praga, Berlim, Checoslováquia e Frankfurt.
É incontestável que a Arte se modificou a partir maio de 1968, impondo o relativismo moral e intelectual a todos nós.
O Cinema, a partir de 1968 toma caráter político em função das manifestações por parte dos movimentos sociais franceses. É a vez do cinema militante. 

É a década dos happenings, surgidos com a Pop Arte, uma espécie de Teatro instantâneo, uma mistura de Artes Visuais, Música e Dança, que convida o espectador a participar da obra ou da ação, uma forma de tirar-lo da passividade fazendo-o reagir à provocação do artista e do cotidiano político social. 
É na Música, no movimento Tropicália, onde a crítica ao conservadorismo e a situações impostas, que temos o slogan que foi eternizado: “É proibido proibir”.
Nas Artes Visuais, as propostas artísticas da vanguarda brasileira que se desenvolveram entre 1964 e 68 estavam comprometidas em dar respostas ao golpe militar. A nova linguagem figurativa dialogava de forma mais direta com a realidade político social. Dentre as manifestações artísticas como Minimalismo, Op Arte, Arte Cinética, Novo Realismo e Tropicália, a Pop Arte surgida na Inglaterra, mas apropriada e difundida pelos norte americanos, foi a vanguarda mais decisiva da década.
Na Arte de rua, o Grafitte com frases que ficaram famosas por expressar, muitas vezes de maneira bem humorada e irônica, o desejo de transformação da sociedade por parte dos estudantes na época. E os mais criativos e eficazes cartazes de rua de toda a história foram criados em assembleias gerais, produzidos artesanalmente, discutidos abertamente nas semanas do Maio francês de 1968. Foram criações coletivas que envolveram mais de 300 artistas. E começa a surgir o New Design que passou a ser mais orgânico, colorido, emotivo, irracional e feminino.
Nas Artes Plásticas, é o momento da transição da vanguarda para a contemporaneidade. Abriu-se a liberdade da utilização de multi suportes em substituição aos tradicionais, como elemento essencial da obra de arte. É o momento da arte conceitual. Uma arte mais objetiva, intelectual, menos engajada, voltada para questionar a própria Arte."

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