Nós vamos reconstruir os EUA’, diz Obama em discurso

Esta foi a primeira aparição do presidente americano diante do Congresso desde que assumiu o cargo, em 20 de janeiro. Ele foi aplaudido de pé por mais de dez minutos pelos deputados e senadores norte-americanos e cumprimentou os parlamentares um a um.  

Obama procurou passar uma mensagem de otimismo e esperança aos cidadãos norte-americanos, assegurando que o dinheiro em bancos está seguro e pediu leis mais fortes para controlar a especulação e o sistema financeiro dos Estados Unidos. "Nossa economia está debilitada e nossa confiança, abalada", afirmou. "Vivemos tempos difíceis e inseguros, mas, nesta noite, quero que todos os americanos saibam o seguinte: vamos nos reconstruir, vamos nos restabelecer. Os Estados Unidos sairão mais fortalecidos."

O presidente afirmou  que não é ajuda aos bancos mas sim ajuda às pessoas, ao justificar a ajuda aos bancos. "Não gastaremos um centavo para ajudar investidores de Wall Street se isto não tiver a intenção de salvar a economia e ajudar os pequenos proprietários de negócios", afirmou.

Ele classificou o crédito como "vital" para a economia, e afirmou que se os bancos não voltarem a emprestar dinheiro no curto prazo, o fim da crise estará longe. Ele prometeu um fundo estatal para conceder empréstimos para pagamento de dívidas de estudos ou de automóveis. O governo deve garantir também que os maiores bancos tenham liquidez para emprestar dinheiro em tempos difíceis.

Em seu pronunciamento, iniciado às 21h20 locais (23h20 de Brasília), Obama disse que "o que é preciso agora é que este país se una, que enfrentemos com ousadia os desafios que encaramos e sejamos responsáveis por nosso futuro mais uma vez".

Pacote de ajuda

O presidente culpou sua situação econômica que herdada, com "um déficit de US$ 1 trilhão, uma crise financeira e uma recessão muito cara", mas ponderou que a responsabilidade da crise foi "de todos". "Nossa economia não entrou em queda da noite para o dia, nem todos os nossos problemas começaram quando o mercado imobiliário quebrou ou a Bolsa de Valores afundou. Nós os regulamos para gastar mais dinheiro e acumular mais dívida, como indivíduos ou como Governo, como nunca antes".

Obama prometeu que as medidas que começou a iniciar surtirão efeito. Entre elas, mencionou o plano de estímulo econômico avaliado em US$ 787 bilhões e o plano de resgate financeiro, assim como sua iniciativa para ajudar os proprietários de imóveis. Ele também pediu ao Congresso que lhe apresente em breve propostas para elaborar a reforma do sistema regulador.

"Com palavras e atos, estamos mostrando ao mundo que começou uma nova era", afirmou o presidente americano.

A economia concentrou a maior parte do discurso e ele matizou sua mensagem sobre a complicada situação econômica com uma nota de otimismo, ao afirmar que "reconstruiremos, nos recuperaremos e os Estados Unidos sairão mais fortes do que antes".

Crise financeira

Os EUA vivem a mais grave crise econômica desde o pós-guerra e financeira desde a Grande Depressão dos anos 30. A administração Obama anunciou recentemente três planos para tentar tirar o país dessa situação. O primeiro, de quase US$ 800 bilhões, será voltado para a economia "real" e prevê forte investimento público.

O segundo, que pode chegar a US$ 2 trilhões, tem como objetivo resgatar o sistema financeiro. O terceiro, com orçamento de US$ 75 bilhões, será destinado a mutuários com dificuldades em honrar suas hipotecas. Mas o plano para o setor financeiro ainda não convenceu analistas e investidores.

Preço da guerra

Obama também prometeu que seu orçamento não "esconderá" os preços da guerra no Iraque e no Afeganistão. "Durante sete anos, temos sido uma nação em guerra, mas agora não esconderemos seu custo", disse Obama ao Congresso.

O presidente norte-americano, Barack Obama, se comprometeu a aumentar o número de soldados e fuzileiros dos Estados Unidos, ao afirmar que vai integrar no orçamento federal o custo da guerra.

"Para aliviar nossas forças, meu orçamento inclui um aumento do número de soldados e fuzileiros navais", disse Obama, antes de prometer melhores salários e assistência médica para os americanos que defendem a nação, em um dos trechos mais aplaudidos do seu discurso no Congresso.

 

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