Pratique com moderação

A prática da atividade física em busca de bem-estar e qualidade de vida é realidade no mundo todo. A Organização Mundial da Saúde e a Federação Mundial de Cardiologia instituíram que, no ano de 2025, teremos que diminuir as doenças cardiovasculares precoces em 25%, e o sedentarismo, o nível de colesterol elevado e a hipertensão arterial serão os principais fatores de risco a serem combatidos. Logo, cada vez mais as pessoas serão estimuladas a praticarem exercícios, desde os mais leves aos mais intensos.
Por outro lado, essa crescente no número de praticantes chamou atenção para outro problema: aparentemente, houve um aumento de mortes ou de complicações cardiovasculares, o que gerou um novo debate sobre o assunto. Só em Campinas, no primeiro trimestre deste ano, quatro mortes durante exercícios físicos foram registradas em 30 dias. As vítimas tinham 45, 23, 37 e 40 anos de idade e todas sofreram mal súbito – que, assim como definido pela OMS, acontece durante a prática ou imediatamente depois (até duas horas) e é a perda súbita da consciência, na maior parte das vezes inesperada, levando a uma situação de risco de vida naquele momento.
De acordo com o cardiologista, Luiz Antonio Abdalla, a prática de atividades físicas, muitas vezes, se dá de maneira irresponsável, pois é feita sem uma avaliação médica apropriada para sua iniciação, o que pode trazer alguns riscos. “O que ocorre é que as pessoas podem ter algum problema de saúde que ainda não sabem e esse problema de base pode gerar outro ou agravar o mesmo. Além disso, hoje em dia, existe uma mídia muito mais intensa, que está atenta aos fatos cotidianos, ocorrendo mais divulgação desses eventos com mais frequência”, afirma, ressaltando que a morte ou qualquer tipo de problema durante a prática esportiva não é algo esperado. Além disso, atletas e esportistas são vistos como indivíduos "super humanos", o que não é verdade. “Muitas vezes as pessoas não têm limites na intensidade e nem no volume da atividade física, com isso tem acontecido mais problemas, principalmente nos parques onde já aconteceram diversos fatos, porque não existem pessoas que acudam um mal súbito ou um mal estar nesses lugares. A falta de segurança é visível e é exatamente onde a gente deve investir e insistir para as pessoas fazerem atividades físicas com segurança”, opina o médico.
As causas mais comuns do mal súbito, segundo Abdalla, são as doenças cardiovasculares, sendo a doença arterial coronária a principal delas, que acontece com mais frequência em indivíduos acima de 35 anos. É válido citar também as cardiopatias estruturais como miocardiopatia hipertrófica, displasia arritmogênica e miocardite – abaixo de 35 anos. “Entre os sintomas, devem chamar nossa atenção as palpitações, síncope, dor no peito ou desconforto torácico; falta de ar desproporcional ao esforço feito; tontura/lipotimia; astenia; ou qualquer outro sintoma desencadeado pelo exercício”, orienta. “É necessário ter uma sensibilidade apurada para saber avaliar se os sintomas citados podem ser indicativos de algum estado patológico ou se são meramente a consequência de um treino mais intenso ou uma competição”, completa. Vale lembrar que, na presença de qualquer um desses sintomas, o atleta tem que parar imediatamente e procurar ajuda médica para saber o que aconteceu.

Exames de rotina

Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Medicina Esportiva, é indispensável uma avaliação médica inicial por parte das pessoas que praticam ou querem praticar alguma atividade física. Tal avaliação inclui uma história clínica bem feita, exame clínico, histórico familiar de doenças do coração e de morte súbita, e um eletrocardiograma que é mandatório para todos, de crianças a idosos, e do tipo de atividade física que será feita. “Embora idealmente o Teste Ergométrico deva ser sempre indicado na avaliação clínica pré-participação para atividades físico-esportivas, na condição específica de atividades de lazer de leve e moderada intensidades, indivíduos assintomáticos e sem fatores de risco cardiovascular podem ser liberados sem a necessidade do exame. Nas demais condições, o Teste Ergométrico será sempre recomendado”, diz o cardiologista.
Com relação aos praticantes acima dos 35 anos, indica-se aplicar o protocolo padrão associado ao questionário para avaliação específica de doença arterial coronária. “Em caso de positividade na avaliação inicial para doença arterial coronária, deve-se aprofundar a investigação com exames mais acurados, podendo-se utilizar ecocardiograma de repouso, ecocardiografia com estresse ou cintilografia tomográfica do miocárdio, avaliando cada caso individualmente”, finaliza.

Você tem doença cardíaca e quer praticar exercícios? Atenção!

– Respeite os limites impostos pelo cardiologista
– Nunca pratique atividade física de “estômago vazio”
– Hidrate-se muito e use vestimenta adequada
– Tome os remédios e não interrompa o tratamento prescrito
– Busque acompanhamento de um professor de Educação Física
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