Procura-se tempo

Na busca pelo prazer imediato, as pessoas acabam procurando, cada vez mais, fazer e ter coisas, ao invés de vivenciar situações. Isso, somado às exigências de trabalho, dinheiro, casa e carros, por exemplo, cria estados de excesso de atividades, sobrando pouco tempo para a convivência familiar. Para driblar essa situação, o primeiro passo é a família rever suas prioridades; além disso, cabe aos pais avaliarem o tempo que estão passando ao lado dos filhos. Lembrando que estar ao lado não abrange apenas a presença física, é fundamental que o emocional esteja alinhado – deixar de checar o celular, redes sociais e outros dispositivos pode contribuir.
Segundo Iuri Victor Capelatto, psicólogo e psicoterapeuta, hoje em dia, nota-se uma dificuldade de alguns pais e mães sentirem prazer em estar com os filhos, brincarem com eles e criarem momentos afetivos. “Digo que, quando um dos pais chega em casa, deve cumprimentar sua família com beijos (no rosto) e abraços. De preferência, ensinarem os filhos a irem até a porta da casa receber o pai ou a mãe. E, para aprenderem isso, os filhos devem ver seus pais fazendo o mesmo”, orienta. “Ou seja, além de reverem o excesso de atividades, é necessário que repensem a qualidade do tempo que passam com seus filhos”, acrescenta.
A convivência familiar é a principal ferramenta para a “construção” do ser humano, principalmente em relação aos valores e atitudes. É por meio dos cuidados e orientações que os filhos formam suas personalidades e desenvolvem o emocional. “Lógico que a sociedade também interfere, mas já é provado que os primeiros anos de vida são fundamentais para a construção do ser humano, sendo que até um ano de idade é fundamental a presença de um mesmo cuidador provendo o carinho e os cuidados necessários para essa idade”, diz o especialista.
A personalidade se forma de acordo com as relações que o indivíduo teve ao longo da vida. Por exemplo, se uma pessoa foi privada de um convívio familiar adequado – por ausência dos pais, ou presença de pais inadequados, violentos, indiferentes -, poderá desenvolver desde transtornos de conduta, transtorno de ansiedade, dificuldades de relacionamentos sociais ou afetivos, dificuldades para seguir regras sociais, ou até mesmo desenvolver depressão e transtornos alimentares. “Vai depender de uma série de fatores que vão influenciar de diferentes formas. Mas é importante ressaltar que, na ausência de uma família adequada, se surgir na vida desse ser humano uma pessoa afetiva que cuide bem dele, essas consequências podem ser minimizadas”, explica o psicólogo.

Capelatto ainda defende que os pais devem sentir prazer em brincar com seus filhos, estar presente na vida deles, mesmo com os sacrifícios e momentos “chatos” que os cuidados exigem. Afinal, todo prazer traz desprazeres e um dos aspectos da saúde mental é aceitar os desprazeres da vida para saber aproveitar os momentos bons que a vida traz. 

 
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