Saúde feminina

Chegamos, mais uma vez, ao mês de outubro, quando edifícios são iluminados por holofotes que emitem luz rosa, em campanhas de conscientização do risco que as mulheres correm de serem acometidas pelo câncer de mama.
Apesar de todo temor que causa na mulher, o câncer de mama é a segunda causa de óbito no sexo feminino, sendo as doenças cardiocirculatórias quatro a seis vezes mais frequentes, entre elas a angina de peito, o infarto do miocárdio, o acidente vascular encefálico (derrame cerebral) e a trombose venosa profunda da qual pode se desprender um embolo (coágulo) que ao cair na circulação leva à trombo embolia pulmonar (TEP) e pode culminar com eventos gravíssimos com dor torácica, falta de ar, perda de consciência e até mesmo a morte súbita, se não atendidos rapidamente.

Hoje, são bem conhecidos os fatores de risco para as doenças do aparelho circulatório. Alguns deles, sobre os quais ainda não podemos atuar como a hereditariedade (genética), a idade e o sexo, o qual as mulheres, pela presença dos hormônios, se protegem até o advento da menopausa.
Os fatores controláveis conhecidos sem ordem de frequência são a relação entre o colesterol total (e/ou o colesterol ruim-LDL) sobre o colesterol HDL (bom colesterol); a hipertensão arterial, o tabagismo, o sedentarismo, o sobrepeso e/ou obesidade que podem levar ao aparecimento do diabete sacarino (ou intolerância à glicose), e os transtornos emocionais como o estresse, a ansiedade e a depressão.

Os hormônios femininos naturais, que protegem as mulheres jovens, quando usados em “reposição hormonal” podem não produzir os efeitos desejados como também oferecer algum risco. Pouco valorizado como “fator de risco” o uso do contraceptivo oral deve ser feito sob orientação médica e deve ser evitada a concomitância com o tabagismo, pois antes dos anos sessenta quando a “pílula” não era utilizada e as mulheres não fumavam, rarissimamente elas apresentavam doenças cardiocirculatórias.

Habitualmente, as mulheres apresentam seus eventos cardiovasculares dez anos mais tarde que os homens, porém, quando se tornam diabéticas seu risco se torna cinco a sete vezes maior que os portadores de diabete do sexo masculino.
O infarto do miocárdio ocorre habitualmente quando, uma obstrução parcial de uma artéria por uma placa de ateroma, é complicada por um coágulo (acúmulo de plaquetas) que obstrui totalmente a passagem do sangue. Os sintomas podem ser: dor, desconforto precordial com irradiação para o braço esquerdo, sudorese, falta de ar, tonturas, turvação visual ou perda da consciência. O ideal é procurar, com urgência, um serviço de pronto atendimento que esteja apto a atendê-la.

Em resumo: não fume; ande no mínimo trinta minutos cinco a sete dias por semana; coma cinco porções de frutas ou vegetais frescos diariamente; verifique ao menos anualmente (e trate se necessário, continuamente) sua pressão arterial (tolerável até 140X90 em tomada de consultório); mantenha seu colesterol total abaixo de 190; mantenha seu colesterol ruim (LDL) abaixo de 130- por qualquer método: dieta, exercício ou medicamento; e finalmente: persiga seu peso ideal!

Consulte e confie no seu médico; recorra à uma nutricionista, ande a pé diariamente, inicie andando no plano e vá aumentando progressivamente, intensidade e duração – só se exercite quando estiver se sentindo bem, com roupas, calçados, temperatura e piso adequado. Ouça música que lhe seja agradável, que lhe dê prazer, faça sua revisão anual de saúde e seja feliz!. A felicidade é o que todos queremos e procuramos, e, acreditar em algo, ter fé, pode ser um bom caminho.

Dr. Alberto F. Piccolotto Naccarato é cardiologista. CREMESP 12.166. 

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