Vida a dois

De repente, começamos a falar duro, economizar gentileza, sorrisos, fazer exigências. A falta de respeito e carinho entre os casais não é exclusividade das novelas, pelo contrário, cada vez mais pode ser notado o distanciamento entre homens e mulheres que, após o casamento, deixam de lado as diversas formas de demonstração de afeto dos tempos do namoro. Mas é preciso virar o jogo e resgatar a doçura que faz falta no relacionamento.
Falta de gentilezas, de beijos, de abraços, de olhos nos olhos. Esses são apenas alguns dos sinais que revelam que algo não vai bem na vida do casal. Uma situação totalmente contrária à que era praticada na época do namoro, quando as pessoas mostravam suas melhores qualidades, usavam vários meios de sedução, palavras carinhosas e até apelidos afetivos.
Para o psicólogo e psicoterapeuta comportamental, Vinícius Sampaio D’Ottaviano, isso acontece entre muitos casais devido à acomodação e à rotina, além da generalização de medos e crenças infundadas, em geral. “Medos de cometer os mesmos erros do passado, de se sentir responsável pelos desastres na relação atual, ou por não saber impedir que eles aconteçam novamente”, afirma. “As pessoas também adquirem comportamentos supersticiosos, que com a realização de rituais ou evitando determinadas situações, principalmente com relação a fazer coisas juntas, apenas pioram as situações de conflito”, acrescenta.
Realizar atividades juntos é uma excelente oportunidade que ambas as partes têm de resgatar a afetividade e o carinho que sentem um pelo outro. Pelo menos uma vez por semana é preciso um tempo somente dos dois, assim como sugere a psicoterapeuta de relacionamentos, Margaret Montgomery: “chamo essa ocasião de tempo casal. É o momento em que as duas pessoas podem ser quem são realmente, não as atuantes como pai e mãe, no caso daqueles que têm filhos, por exemplo. Esse tempo se faz necessário nos relacionamentos”.
A importância de o casal ficar a sós não está apenas atrelada à conotação sexual, mas também para exercitar a comunicação, a fim de restaurar a intimidade que foi se perdendo ao longo das comemorações de bodas. “Igualmente essencial é estar fisicamente próximo um do outro, se abraçando, se olhando, se beijando e se amando o suficiente para tentar mais uma vez um novo começo, um eterno recomeço”, orienta D’Ottaviano.
No entanto, é preciso reforçar que o sexo contribui, e muito, para a manutenção da parceria, da cumplicidade e, claro, da intimidade. “Quando um casal está bem e o rela-cionamento é saudável, automaticamente existe carinho entre eles e isso é demonstrado”, explica Margaret.
Na opinião de Vinícius, o segredo para se viver a dois está baseado na trilogia formada pela paciência, diálogo e doação. A partir destes três conceitos, o profissional auxilia os casais a perceberem os problemas e administrá-los.
Para aqueles casais que querem ter, ou voltar a ter, uma relação saudável, a sugestão é a terapia de casal, excelente ferramenta oferecida pelos profissionais que atuam na área de relacionamento. Mas, um dos maiores erros cometidos pelos casais é procurar a terapia quando a relação já está totalmente insustentável, o que, segundo Margaret, dificulta tanto para a dupla, como para o profissional. “Costumo dizer que se ainda tiver sentimentos, eu tricoto em cima. Isso significa que nada vai dar certo se não tiverem a intenção de fazer o resgate do relacionamento e o comprometimento sincero de dar continuidade aos trabalhos terapêuticos”, afirma a psicoterapeuta. “Por isso, sempre procuro durante o processo terapêutico ensinar os casais entre outras coisas, principalmente os valores fundamentais de uma relação amorosa mais estável e menos conflituosa, que são: a grandiosidade da entrega, a essência da cumplicidade e o exercício infinito da doação, do diálogo e do exercício de distribuir carinho e afeto; ou seja, saber que o amor além de existir sim, sempre explica e suporta tudo”, finaliza D’Ottaviano.

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