Vingança.com

A razão, na maioria das vezes, é o fim do relacionamento, quando uma das partes, geralmente homens, publica na internet o material que foi gravado de forma consentida na época. O termo é recente e, no Brasil, ganhou notoriedade após uma garota de 17 anos cometer suicídio depois de ter um vídeo compartilhado pelo celular, em 2013. Neste mesmo ano, o ex-jogador de futebol e atual deputado federal Romário, apresentou um projeto de lei que transforma em crime a divulgação indevida de conteúdo íntimo.
Segundo uma pesquisa realizada pela SaferNet Brasil, 35,71% das vítimas do compartilhamento de material íntimo têm entre 13 e 15 anos. Podemos associar essa faixa etária à imaturidade, falta da consequência dos atos, pressão de um determinado grupo, ou ainda à impunidade.
Mas, quais são os fatores psicológicos que levam a pessoa a expor o outro publicamente, ferindo sua intimidade? Para o psicólogo e psicoterapeuta de crianças e adolescentes, Ivan Capelatto, muitos são esses fatores. “Primeiro, a facilidade da comunicação imediata da internet  e as redes; depois, o sentimento de ‘vingança’ sobre o outro, desde o fato daquela menina não querer mais ficar com o garoto (que vai expor a intimidade deles como vingança), assim como o sentimento invejoso, que faz com que pessoas do mesmo sexo fotografem ou filmem colegas e as exponham”, afirma. Quanto ao ato de publicar, pode ser planejado ou executado por impulso. “Temos os dois modos: tanto impulsivo pela oportunidade, como planejado anteriormente para poder ter a chance de ficar na intimidade do outro. Temos "RevengePorn’s" que saem dos banheiros das escolas como dos motéis ou quartos de casas”, acrescenta.
Com a exposição, a vítima desperta vários sentimentos como vergonha, medo, autoestima baixa, além do sentimento de humilhação. Em casos extremos, cometem suicídio. “Uma criança ou adolescente exposto numa rede será, certamente, vítima de bullying e outras formas de assédio moral e sexual. Provavelmente será um trauma pelo resto de sua vida, se não receber apoio psicológico e psiquiátrico”, alerta Capelatto.
O mesmo levantamento feito pela SaferNet apontou que, do total, 77% das mulheres são vítimas do revenge porn. “As meninas são as maiores vítimas porque têm se exposto muito na tentativa de serem "pops" ou pertencerem a uma galera com poder social nas escolas, clubes e condomínios. Mas há vítimas masculinas também, em que a maldade chega ao estupro”, explica o especialista.
Para que os adolescentes tenham o chamado juízo crítico, é indispensável que eles cresçam em um lar com limites. É necessário que os pais saibam com quem os filhos estão se relacionando e o tipo de conversa que mantêm, especialmente na internet. Como em muitos outros casos, é melhor prevenir do que remediar.
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