Vitamina C e gripe

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Quando o inverno se aproxima, as gripes são cada vez mais frequentes, assim como o uso de vitamina C em receitas caseiras ou mesmo em medicamentos. A origem da fama da vitamina C na prevenção e no tratamento da gripe vem do seu efeito na produção de anticorpos, entretanto é preciso cautela no uso excessivo.

“Apesar da extensa publicidade promovida pela indústria farmacêutica, sugerindo que a vitamina C possa prevenir gripes e resfriados ou aliviar sua virulência, a pesquisa médica não conseguiu dar suporte científico para essa indicação. Nossa afirmação se baseia em extensa pesquisa científica, com estudos bem elaborados que revelam que as pessoas que consomem suplementos de vitamina C, mesmo em grandes doses de até 3g por dia – quando as recomendações de ingestão diária são de até 60mg por dia – não estão mais protegidas do que aquelas que não fazem suplementação. Esses resultados revelam claramente que não há fundamento que justifique indicar vitamina C para prevenir e muito menos tratar gripes e resfriados”, observa Ellen Simone Paiva, médica nutróloga e diretora do Centro Integrado de Terapia Nutricional (Citen).

A vitamina C é encontrada em grande quantidade nas frutas cítricas e nos vegetais verdes. O estoque corporal médio de vitamina C é em torno de 900mg e, muitas vezes, as pessoas consomem, de maneira abusiva, doses muito maiores do que essas. “A absorção deste nutriente é rápida e eficiente e o organismo se previne das ingestões excessivas e das mega doses aumentando sua excreção urinária. Isso pode causar acidificação urinária excessiva, uma vez que a vitamina C é um ácido, que aumenta a síntese de oxalato e com ele, uma maior produção de pedras no trato urinário”, explica a nutróloga.

Entre as múltiplas funções da vitamina C, talvez, a mais estudada é a sua ação antioxidante. Isso significa que ela consegue neutralizar algumas reações químicas potencialmente prejudiciais ao nosso organismo. “A vitamina C protege o organismo contra a oxidação do colesterol, tornando-o menos deletério à saúde cardiovascular. Este efeito antioxidante também é postulado como potencialmente protetor para certos tipos de câncer e contra o envelhecimento”, diz a médica.

“O principal papel da vitamina C é a síntese do colágeno, uma proteína que une e dá sustentação às células corporais. O quadro clínico da deficiência de vitamina C se manifesta com fadiga, depressão, inflamação das gengivas e dificuldade de cicatrização de feridas”, explica Ellen.

O uso de anti oxidantes em cápsulas também pode ser prejudicial ou não oferecer benefícios. A ingestão da vitamina em cápsula em grande quantidade não é recomendada. “Descobrimos que graças à capacidade de auto proteção do nosso organismo, os rins eliminam a maior parte dessa vitamina em cápsulas, evitando catástrofes maiores. Hoje, já sabemos que 100g de maçã com casca possui o mesmo efeito antioxidante de 500mg de vitamina C”, diz a médica.


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